
Segundo os investigadores da Trend Micro, um pirata informático de língua russa, conhecido como "bandcampro", utilizou a ferramenta de código aberto Gemini CLI da Google como um agente de ataque e para operar uma botnet de pequena escala. O agente de inteligência artificial respondeu aos comandos do atacante, resolvendo problemas de forma instantânea e chegando a propor melhorias operacionais em pelo menos 59 ocasiões.
A operação assistida por inteligência artificial
Entre 19 de maio e 21 de abril, em mais de 200 sessões, o atacante colaborou com a ferramenta Gemini para implementar e gerir uma infraestrutura que controlava oito sistemas de uma clínica dentária, conseguindo assim aceder à base de dados OpenDental. A inteligência artificial assumiu o papel de um "testador de penetração autorizado", atuando sem os habituais avisos de segurança e guardando automaticamente quaisquer credenciais.
O ficheiro de competências do agente continha o manual de comando e controlo (C2), com uma descrição da arquitetura, operações normais, código de infeção, comandos para persistência e passos para resolução de problemas.
Migração da botnet em tempo recorde
O hacker usou o Gemini CLI para migrar a botnet para uma nova infraestrutura C2. A partir de uma única instrução que ditava "Estudar a migração C2", a inteligência artificial processou o guia e preparou todos os passos e códigos necessários para o processo.
A migração da infraestrutura C2, que incluiu o tratamento da arquitetura, programação, implementação de VPS, configuração da Cloudflare e a depuração inicial, foi concluída em apenas seis minutos. Quando algumas máquinas falharam inicialmente a reconexão, a inteligência artificial diagnosticou um conflito de tráfego entre o antigo e o novo servidor. Assim que o atacante desligou o servidor antigo, todos os bots voltaram a ligar-se.
Simplicidade técnica e outras explorações
Os registos diários das operações mostram que o pirata continuou a gerir a botnet através de pedidos em linguagem natural. Desta forma, questionava quais as máquinas que estavam ativas, listava ficheiros de computadores específicos e gerava links de infeção.
Do ponto de vista técnico, a configuração da botnet revelou-se muito leve. Todos os componentes e instruções estavam concentrados em três ficheiros de texto simples, totalizando cerca de 5 KB. O servidor C2 utilizava um servidor Python HTTP na memória e agentes PowerShell que comunicavam a cada cinco segundos. A persistência baseava-se em tarefas agendadas, eventos WMI e modificações no registo, consoante os privilégios disponíveis. O malware em si era pouco sofisticado, visto não recorrer a mecanismos de ofuscação, compressão ou evasão.
Para além da botnet, o atacante terá utilizado a inteligência artificial para tentar adivinhar palavras-passe, gerando variantes plausíveis para portais WordPress e analisando fugas de dados do 1Password. De acordo com os investigadores, esta última tentativa apenas falhou porque a operação prolongou-se e a inteligência artificial perdeu a noção geral do ataque.
Os registos recuperados revelam ainda que o Gemini recusou cumprir ordens em pelo menos um caso, quando lhe foi pedido que criasse uma "bomba-agente" auto-propagável. Esta recusa fez simplesmente com que o hacker tentasse outras tarefas alternativas.












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