
O lendário jogo de tiros DOOM, lançado originalmente em 1993 pela id Software, acaba de alcançar um patamar de reconhecimento histórico. O prestigiado jornal The Washington Post selecionou o título como uma das 25 obras mais influentes da cultura norte-americana, destacando o seu papel pioneiro e revolucionário no entretenimento digital.
Na lista, que abrange o período de 1986 a 1995, o clássico de ficção científica e ação superou gigantes da cultura pop como a série de animação Os Simpsons, o aclamado filme Do the Right Thing de Spike Lee e a icónica comédia Seinfeld. O jogo partilha agora espaço com marcos históricos e símbolos dos EUA, incluindo o hino nacional do país, o romance Moby-Dick ou as tradicionais calças de ganga Levi's.
O pioneiro dos mundos virtuais e da comunidade
A escolha de DOOM fundamenta-se no seu impacto transformador na indústria e na sociedade. Segundo o jornalista Gene Park, o título destacou-se por apresentar um mundo tridimensional em primeira pessoa, distribuído de forma independente e sem as habituais barreiras de lojas de retalho ou intermediários da época.
Esta abordagem inovadora permitiu o nascimento de comunidades focadas na criação de conteúdos gerados pelos próprios utilizadores, muito antes de este conceito ter uma designação oficial. Toda esta filosofia de partilha e o design dos cenários tridimensionais abstratos estiveram intimamente ligados às origens de John Romero, criador de ascendência mexicana e nativo-americana (Yaqui e Cherokee). Romero, juntamente com o seu parceiro de desenvolvimento John Carmack, entregou à comunidade as ferramentas necessárias para que cada jogador pudesse construir os seus próprios mapas e cenários.
Sucesso estrondoso e os capítulos mais negros
Na época do seu lançamento, o fenómeno foi de tal ordem que o jogo chegou a estar instalado em mais computadores do que o próprio sistema operativo Windows 95 da Microsoft. O tráfego gerado pelas partidas multijogador foi inclusive responsável pelo colapso de várias redes informáticas em campus universitários.
Apesar do mediatismo positivo, a publicação não evitou abordar os momentos mais difíceis associados à marca. O jogo foi frequentemente utilizado como bode expiatório para a tragédia do massacre na escola secundária de Columbine, no Colorado, em 1999.
John Romero abordou esta fase na sua autobiografia DOOM Guy: A Life in First Person, onde recordou a dor ao ver as notícias da tragédia. O criador sempre rejeitou a ideia de que a violência nos videojogos influencie comportamentos reais, sublinhando que jogar títulos virtuais é completamente diferente de disparar uma arma real contra um ser humano.
Reações e o legado contínuo do franchise
John Romero recorreu às redes sociais para expressar o seu orgulho, classificando a inclusão nesta lista como uma honra incrível e lembrando que DOOM é o único videojogo presente na seleção. O programador deu os parabéns a todos os criadores, jogadores e criadores de modificações (mods) que mantêm o título vivo.
Tom Hall, também cofundador da id Software, juntou-se às celebrações e mostrou-se orgulhoso pelo legado duradouro da empresa no mercado mundial. Esta distinção junta-se a outro reconhecimento de relevo recente nos EUA, depois de a Biblioteca do Congresso ter selecionado a icónica banda sonora do jogo, composta por Bobby Prince, para preservação histórica.
O franchise da id Software continua em forte atividade na atualidade. Embora o jogo mais recente, DOOM: The Dark Ages, tenha sido lançado no ano passado, a comunidade recebeu este mês uma nova expansão oficial batizada de Revelations. Contudo, este lançamento coincidiu com um período conturbado para o estúdio produtor, marcado por uma vaga de despedimentos que afetou vários trabalhadores da empresa.












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