
A confiança no mercado imobiliário europeu parece estar a consolidar-se este ano. Segundo o mais recente estudo divulgado pela CBRE, o otimismo no setor traduz-se em números concretos: cerca de 72% dos financiadores planeiam aumentar a sua atividade de originação de crédito ao longo de 2026, um indicador claro de que a liquidez estrutural se mantém saudável, apesar das conhecidas oscilações macroeconómicas.
O foco principal destes fundos continua a recair sobre o setor habitacional (o segmento de living), que lidera de forma isolada as intenções de financiamento, seguido logo de perto pelo setor industrial e de logística. Ao mesmo tempo, áreas alternativas estão a ganhar uma tração sem precedentes. Projetos de co-living, infraestruturas de saúde, habitação acessível e residências para seniores estão na mira do capital, com 86% dos inquiridos a confirmarem a aprovação de empréstimos para, pelo menos, uma destas categorias — o que representa uma subida de 5% face ao ano anterior.
Para quem acompanha a evolução tecnológica, os data centers continuam a merecer destaque. Embora se mantenham como uma primeira escolha apenas para uma franja muito específica de investidores, a perceção geral sobre a sua viabilidade fortaleceu-se substancialmente, resultando numa subida dos rácios de empréstimo face ao valor do ativo (LTV) em novos contratos.
O regresso dos escritórios e o peso da construção
Depois de um período de incerteza no mercado de trabalho presencial, os escritórios voltaram a captar o interesse do capital. Este segmento recuperou três posições face à edição de 2025 do mesmo relatório, assumindo-se agora como o terceiro setor mais atrativo a nível geral. Se olharmos exclusivamente para a banca tradicional, a preferência é ainda mais acentuada: os escritórios sobem à segunda posição, suportados pela forte dinâmica que os ocupantes demonstram nos ativos mais centrais e bem localizados.
A propensão para financiar novas obras também regista uma evolução expressiva, subindo de 60% em 2025 para 69% este ano. Contudo, a proveniência do capital determina a aversão ao risco. Os credores não bancários (como fundos especializados) apresentam uma disponibilidade de 81% para financiar projetos de construção de maior risco. Em contraste, a banca clássica mantém o seu perfil conservador, focando-se quase exclusivamente em ativos de rendimento garantido ou desenvolvimentos com um risco especulativo mínimo.
O impacto no mercado de Portugal
No contexto nacional, o panorama traduz-se numa clara maturação das operações. Em Portugal, embora o setor residencial continue a dominar as atenções, assiste-se a uma crescente sofisticação e diversificação das vias de financiamento. Os fundos de dívida assumem um papel cada vez mais relevante, servindo de alternativa à banca comercial, sobretudo pela sua flexibilidade, rapidez e maior capacidade de absorção de risco estrutural.
O interesse dos investidores no país está a alargar-se ativamente a residências de estudantes, complexos de logística e hotelaria. A combinação entre soluções eficientes e a complementaridade entre a banca clássica e os fundos privados promete trazer para o terreno mais projetos, capazes de dar resposta a uma procura que permanece invulgarmente elevada. Mesmo perante o cenário geopolítico ainda incerto na Europa, a melhoria do sentimento financeiro cruza todos os setores, colocando os fundamentos do imobiliário numa trajetória sólida de recuperação para o resto do ano.












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