
A recente quebra nas ações da TSMC reacendeu os receios do mercado sobre um possível rebentamento da bolha de investimento em inteligência artificial. No entanto, segundo avançou o Wccftech, o presidente da fabricante de memórias ADATA, Chen Li-bai, apressou-se a refutar esta ideia, alertando que a verdadeira crise será uma escassez global de componentes DRAM e NAND que deverá estender-se pelos próximos 10 anos. Para os consumidores portugueses, este cenário traduz-se numa consequência direta e inevitável: o preço dos computadores e telemóveis não deverá baixar num futuro próximo.
Para o executivo da ADATA, é demasiado cedo para falar numa crise de excesso de investimento. Chen Li-bai sugeriu que o assunto de uma bolha da IA só deverá ser discutido depois de 2030, e que apenas nessa altura se poderá projetar se esta ocorrerá em 2040, 2050 ou 2025. A base para esta perspetiva reside na dimensão da procura real a nível mundial, que os mercados tecnológicos terão subestimado significativamente e que motivou aumentos substanciais nas receitas recentes das fabricantes de memória.
A expansão da inteligência artificial além da nuvem
De acordo com o líder da empresa, a necessidade de poder de cálculo associado à inteligência artificial está a crescer de forma atípica, impulsionando a construção de infraestruturas elétricas e a procura por armazenamento e memória. Embora fornecedores de serviços na nuvem como a Meta e a xAI tenham começado a alugar capacidade de processamento excedente a outras empresas, a direção da ADATA garante que este facto não indicia um abrandamento do setor.
As futuras aplicações desta tecnologia vão expandir-se rapidamente para diversos modelos de negócio, como B2B, B2G, B2C e B2B2C. Este movimento de mercado dita que a procura por computação continuará a aumentar, o que fará com que o atual excesso de capacidade de processamento partilhada não dure muito tempo.
Preços vão continuar a subir perante uma expansão cautelosa
Nos próximos 10 anos, a eletricidade e a memória assumir-se-ão como os dois recursos mais escassos à escala global. Quando questionado sobre se a expansão das fábricas de marcas como a Samsung, a SK Hynix e a Micron poderia resolver a crise e provocar uma queda nos lucros perante o esgotamento de inventários de baixo custo, Chen Li-bai foi perentório. As grandes fabricantes preferem adotar uma estratégia de expansão prudente e racional, cientes do impacto financeiro de uma sobreprodução não planeada.
A maioria das obras e expansões em linhas de produção já existentes está delineada apenas para o período entre 2028 e 2035. As empresas estão também limitadas por vários acordos de longa duração, onde se comprometem desde logo a fornecer parcelas significativas de todo o volume que conseguem produzir durante as suas janelas operacionais.
O mercado já tinha sido alertado pelo presidente da ADATA para um agravamento iminente de 30% nos preços da memória DRAM e uma subida de 40% na tecnologia NAND até ao terceiro trimestre de 2026. Outras avaliações de mercado estimam subidas acima dos 50%, dada a incerteza sobre a gravidade da escassez. A curto prazo, não existe qualquer alívio no horizonte da oferta de DRAM e NAND até 2028. Perante a consolidação das previsões de uma escassez estrutural de 10 anos, o regresso aos preços praticados antes desta crise tornou-se um cenário fora de equação.












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