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Disco a ser segurado

Muitos entusiastas de entretenimento físico reúnem os seus filmes e álbuns favoritos com a esperança de os preservar para a vida. Esta vontade de manter obras acessíveis, longe dos caprichos das empresas de streaming, pode esbarrar num obstáculo silencioso: o apodrecimento de discos. Este fenómeno ambiental afeta CDs, DVDs e Blu-rays, corrompendo a camada refletora e tornando os dados potencialmente ilegíveis.

Sinais visíveis e origem da degradação

O processo ocorre quando as camadas protetoras de um suporte ótico falham. O cenário mais comum é a oxidação, momento em que o oxigénio reage com o alumínio presente no CD, resultando no aparecimento de manchas cor de bronze. Outros indícios incluem pequenos furos, extremidades desgastadas ou um aspeto baço na superfície. O problema pode até permanecer invisível a olho nu, sendo apenas detetado quando a reprodução do conteúdo falha num leitor.

A culpa recai quase sempre sobre um armazenamento desadequado. O frio extremo promove a condensação de humidade, enquanto o calor ou ambientes muito húmidos conseguem amolecer e separar a cola que une as várias partes do disco. A qualidade de fabrico dita o ritmo deste colapso. A Sony estima que um DVD bem conservado dure entre 30 e 100 anos. Em contraste, existem casos de DVDs da Warner Bros. que apresentaram degradação em menos de 20 anos após o lançamento. O historial da indústria regista ainda problemas próprios nos antigos Laserdiscs, em que os discos da MCA DiscoVision oxidavam devido aos seus próprios adesivos internos, originando fissuras e saltos no vídeo.

Práticas para preservar o entretenimento físico

Qualquer colecionador em Portugal pode mitigar este risco com escolhas simples. O princípio fundamental exige guardar os suportes físicos em divisões frescas, bem ventiladas e longe da luz solar direta. Mantém as obras nas caixas individuais originais, dado que as caixas herméticas não salvam o conteúdo do calor e até podem agravar a humidade interna. Alguns colecionadores sugerem retirar os folhetos de papel para evitar que estes gerem humidade contínua, mas o impacto prático dessa medida é quase nulo. A arrumação das caixas na vertical ou na horizontal também não interfere com a longevidade da coleção.

Previne as oscilações bruscas de temperatura no manuseamento das obras. Se precisares de deslocar um álbum de um ambiente gélido para um local quente, deixa-o aclimatar-se gradualmente dentro da embalagem para evitar a quebra das camadas protetoras.

Para discos já afetados, a salvação passa por software de recuperação de dados ou serviços profissionais. No caso de material insubstituível, como vídeos ou fotografias caseiras, cria previamente cópias de segurança num outro formato de armazenamento para garantir redundância e limpa os discos regularmente para afastar poeiras. Os acidentes comuns, como os riscos provocados pelo uso, continuam a ser a ameaça diária mais prevalente nas coleções físicas, contudo, aplicar estas regras de conservação assegura que o acervo resiste à passagem das décadas.

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