
A IBM registou um desempenho financeiro severamente afetado no seu último trimestre, ficando muito aquém das expectativas da Wall Street. O impacto negativo foi de tal ordem que o diretor executivo da tecnológica, Arvind Krishna, e o conselho de administração emitiram um aviso prévio aos investidores, admitindo que os resultados preliminares foram piores do que o esperado. A reação do mercado foi imediata, com as ações da gigante norte-americana a afundarem 25%, assinalando a maior quebra num único dia de toda a sua história de 115 anos.
O anúncio precipitou também uma revisão em baixa das previsões de crescimento da empresa para a totalidade do ano fiscal. Segundo avançou a própria IBM no seu site oficial, a quebra foi motivada por um colapso acentuado na área de infraestrutura, com o segmento de hardware de mainframes a registar uma queda de 42%.
O efeito colateral no software
A contração nas vendas de hardware gerou um impacto em cadeia nas receitas globais da tecnológica. Conforme explicou o diretor financeiro, Jim Kavanaugh, em conferência com os analistas, o modelo de negócio da empresa assenta numa forte complementaridade: cada 1 € faturado na venda de hardware de mainframes converte-se, tipicamente, em 3 € de receita adicional em contratos de software.
Apesar do cenário adverso, a liderança da IBM insistiu que este desfecho representa apenas um contratempo temporário. A justificação prende-se com o facto de algumas dezenas de grandes clientes empresariais terem optado por adiar a transição para novos sistemas durante o trimestre. Sendo os mainframes equipamentos de elevada capacidade crítica que custam entre centenas de milhares e vários milhões de euros, o adiamento de poucos contratos é suficiente para penalizar o balanço financeiro.
O boom da IA e a inflação nos centros de dados
A administração detalhou que a corrida global à inteligência artificial — que tem impulsionado as receitas de vários fabricantes de hardware — acabou por prejudicar temporariamente a IBM. Confrontados com aumentos substanciais de 15% a 30% nos custos de computadores pessoais e equipamentos para centros de dados, os clientes preferiram realocar as suas verbas para cobrir essa inflação.
Esta subida nos componentes, impulsionada pela procura de semicondutores e chips de memória para IA, já tinha sido alvo de alertas por parte de outros fabricantes do setor, como a Dell e a HP, bem como pela Apple. Ainda assim, Arvind Krishna assegurou que não existem evidências de que as empresas estejam a abandonar a plataforma de mainframes da IBM, prevendo a recuperação destes contratos no futuro próximo.












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