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eletricidade em formato digital

Investigadores chineses da Universidade de Zhejiang revelaram uma nova vulnerabilidade capaz de causar prejuízos físicos astronómicos às infraestruturas de inteligência artificial. Num estudo publicado no início de julho, a equipa detalhou o Bit2Watt, uma ameaça ciberfísica que não necessita de esquemas de phishing ou de malware tradicional. Através de conceitos matemáticos complexos e de código perfeitamente legítimo, este método manipula o consumo energético do hardware para atacar a rede elétrica que alimenta os servidores.

Embora o ataque nunca tenha sido executado num cenário real, as simulações baseadas na topografia da rede elétrica da Europa mostram um potencial de destruição vasto. Numa altura em que o continente europeu integra cada vez mais fontes de energia renovável, dependentes de inversores eletrónicos e com vulnerabilidades de inércia, uma sobrecarga propositada poderia derrubar mais de 1.200 linhas de transmissão.

Manipulação extrema das placas gráficas

O treino de grandes modelos de IA exige dezenas de milhares de GPUs a trabalhar em uníssono. Ao contrário dos computadores tradicionais, que apresentam consumos estáveis, estas máquinas alternam constantemente entre picos de processamento intenso e pausas para sincronização de dados.

Um agente malicioso pode simplesmente alugar espaço num centro de dados fazendo-se passar por um cliente normal. A partir desse momento, corre tarefas concebidas especificamente para ligar e desligar o processamento das GPUs mais de 6.000 vezes por segundo. Esta oscilação agressiva força o sistema a receber níveis de potência muito baixos seguidos de tensões extremamente elevadas num curto espaço de tempo — um choque elétrico e térmico comparável a mergulhar metal incandescente em água gelada.

As redes elétricas modernas não conseguem amortecer uma flutuação tão violenta. O fenómeno gera um amortecimento negativo de -0,27, resultando na perda de controlo da rede. O disparo forçado dos disjuntores pode deixar mais de 80% das linhas de transmissão comprometidas, atuando como um ataque de Negação de Serviço (DoS) que sobreaquece e destrói os componentes físicos.

Roubo de dados por ondas eletromagnéticas

Para além da sabotagem estrutural, os especialistas provaram que o Bit2Watt pode ser utilizado para exfiltração de informação. Se o atacante transmitir dados secretos através de frequências específicas durante as oscilações, as informações são emitidas sob a forma de ondas eletromagnéticas. Bastaria uma antena posicionada no exterior do edifício para captar e sequestrar esses dados sem acionar alarmes de rede.

A mitigação desta falha revela-se complexa e dispendiosa para a indústria. A proteção ideal exige a implementação de sistemas de monitorização cibernética avançados, capazes de analisar e detetar lógicas de treino suspeitas nos servidores. Adicionalmente, os investigadores sublinham a necessidade de os centros de dados comunicarem diretamente com os mecanismos de proteção física, cortando de imediato o acesso a qualquer cliente cujo código inicie anomalias elétricas na infraestrutura.

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