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Google logo com estrelas

A Comissão Europeia aplicou uma multa de 890 milhões de euros à Google por violar as regras de concorrência e abusar da sua posição dominante no mercado dos motores de busca. Conforme detalhado no comunicado de imprensa oficial da entidade reguladora, a gigante tecnológica utilizou o seu domínio digital para favorecer ilegalmente os seus próprios serviços em detrimento dos concorrentes, desrespeitando as diretrizes do Regulamento dos Mercados Digitais (DMA). A sanção financeira promete agravar o clima de tensão comercial entre a Europa e os Estados Unidos, motivando reações imediatas da administração norte-americana.

As acusações de favorecimento ilegal

De acordo com os reguladores de Bruxelas, a Google promoveu de forma desleal as suas próprias plataformas de compras, viagens e jogos. A prática consistia em colocar as ferramentas da empresa no topo dos resultados de pesquisa, enquanto os serviços rivais eram relegados para posições inferiores e de menor visibilidade.

A Comissão Europeia relembrou que as empresas consideradas "gatekeepers" estão proibidas de dar tratamento preferencial aos seus produtos nas listagens de resultados, sendo obrigadas a aplicar critérios transparentes, justos e não discriminatórios. Adicionalmente, a tecnológica de Mountain View foi acusada de impedir os programadores de informar os utilizadores da Play Store sobre métodos de pagamento alternativos, o que evitaria o pagamento das taxas cobradas pela empresa.

Reações e prazos de conformidade

A vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela política de concorrência, Teresa Ribera, defendeu a intervenção e salientou que o ecossistema digital deve premiar a qualidade técnica dos produtos e não a propriedade do motor de busca. A Google tem agora um prazo de 60 dias para cumprir integralmente a deliberação europeia, sob pena de enfrentar penalizações adicionais que podem ascender a 5% da sua faturação global diária.

bandeira da união europeia

A reação da empresa não se fez esperar e o conselheiro geral da Google, Kent Walker, afirmou ao The New York Times que a medida vai prejudicar os utilizadores europeus por causar uma degradação do produto, argumentando que a regulação deveria melhorar as ferramentas disponíveis e não torná-las piores. No entanto, o impacto financeiro imediato da sanção é contido, uma vez que a multa representa menos de 1% dos 112,1 mil milhões de dólares de lucro trimestral recentemente apresentados na última faturação da empresa.

Tensões geopolíticas e histórico judicial

Embora as autoridades europeias assegurem que o anúncio não se relaciona com as ameaças da administração de Donald Trump sobre a imposição de novas tarifas a produtos europeus, analistas aguardam a resposta de Washington, cujos legisladores já tinham apelado a ações decisivas contra a regulação europeia de tecnológicas norte-americanas.

Apesar da contestação política, a empresa também enfrenta processos semelhantes em solo americano, onde o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) moveu uma ação judicial que resultou na obrigação de partilha de dados de pesquisa com rivais. Esta multa de 890 milhões de euros fica ainda longe dos recordes anteriores da União Europeia contra a empresa, que recentemente perdeu o recurso final de uma coima de 4,7 mil milhões de euros aplicada em 2018 devido ao sistema Android, além de outra sanção de 2,8 mil milhões de euros relacionada com o Google Shopping.

Atualização 23/07/2026: Em comunicado, um porta-voz da Google afirma que "Esta implementação do DMA continua a prejudicar os produtos do dia-a-dia. Para cumprir as normas, estamos a ser obrigados a remover as capacidades de pesquisa em tempo real que os europeus adoram — como os preços instantâneos e a disponibilidade direta para hotéis, voos e restaurantes — e a desmantelar as proteções de segurança no Google Play. Isto não é concorrência leal; é a degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de queixosos que visam apenas o seu próprio benefício, com as empresas e os consumidores europeus a sofrerem as consequências. A regulamentação deveria melhorar os produtos, não piorá-los."

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