
A atividade global de cibercrime continua a acelerar em 2026, contabilizando-se 4.394 incidentes nos primeiros seis meses do ano. Segundo um relatório divulgado pela NCC Group, o volume de ataques de ransomware atingiu as 2.229 ocorrências apenas no segundo trimestre — uma subida de 3 % face aos 2.165 casos registados entre janeiro e março.
A tendência ascendente é visível quando se isola o mês de junho de 2026, que registou 665 ataques à escala global, correspondendo a um crescimento de 23 % em comparação com os 543 ataques do mesmo mês em 2025. Se o ritmo se mantiver, o panorama atual aproxima-se perigosamente do recorde absoluto de 7.874 ataques fixado no ano passado.
A cadeia de abastecimento e o fator geopolítico
Em vez de direcionarem esforços para entidades individuais, os agentes maliciosos procuram agora comprometer ecossistemas de desenvolvimento de software e dependências de código, permitindo-lhes afetar milhares de empresas através de um único ponto de entrada. O documento destaca o grupo TeamPCP como um dos mais ativos neste tipo de campanhas em 2026, tirando partido de fluxos de confiança para propagar ameaças de forma silenciosa e em larga escala.
O risco cibernético está também cada vez mais dependente do clima geopolítico. Organizações com exposição política enfrentam perigos acrescidos, desde campanhas de phishing focadas na atualidade a ataques de negação de serviço (DDoS). Neste contexto, a análise aponta para a atividade de grupos alinhados com a Rússia, Bielorrússia e China.
A entrada de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, numa eleição ocorrida a 3 de junho, coloca o país numa posição de maior atenção face a estas dinâmicas de espionagem. Juntamente com o Zimbabué, Trinidad e Tobago, Austrália e Quirguistão, Portugal iniciará um mandato de dois anos a 1 de janeiro de 2027, o que exige resiliência reforçada para proteger redes nacionais críticas.
Indústria na mira e o domínio das vulnerabilidades VPN
O setor industrial manteve a posição de alvo principal durante o segundo trimestre, concentrando 30 % do volume total. Em junho, esta área sofreu 183 ataques (28 %), logo seguida pelos bens de consumo discricionário com 166 (25 %) e pelas Tecnologias de Informação com 63 (9 %). Geograficamente, a América do Norte continuou a ser a região mais castigada, absorvendo 44 % dos incidentes do trimestre e 275 ataques (41 %) só em junho. A Europa ocupou o segundo lugar (153 ataques, ou 23 %), e a Ásia o terceiro (133 incidentes, correspondentes a 20 %).
O grupo Qilin liderou as estatísticas pelo quinto trimestre consecutivo, acumulando 301 vítimas e representando 14 % da atividade. Seguiram-se o The Gentlemen (238 vítimas) e o DragonForce (145), com o coletivo KryBit a entrar de forma inédita no top dez dos mais ativos.
Para concretizarem estas invasões, operadores como Akira, Qilin e The Gentlemen têm focado a sua atenção em Redes Privadas Virtuais (VPN) empresariais e dispositivos de perímetro expostos. Dos mais de 150 alertas de inteligência de ameaças emitidos pela consultora em 2026, 15 % incidiram sobre vulnerabilidades nestes equipamentos, muitas delas ativamente exploradas e de gravidade crítica.
Nas palavras de Matt Hull, vice-presidente e responsável de Cyber Intelligence and Response da empresa, "os ataques à cadeia de abastecimento continuam a ser uma das vias mais atrativas para os agentes de ameaça causarem danos operacionais, financeiros e reputacionais às organizações".
O responsável sublinha a urgência do problema para as chefias empresariais: "Embora não se tenha registado um aumento significativo do volume de ransomware no último trimestre, a trajetória dos ataques continua a ser ascendente e as VPN permanecem um alvo cada vez mais atrativo. A par das atuais tensões geopolíticas, da rápida evolução das capacidades de inteligência artificial e de métodos de ataque cada vez mais sofisticados, as organizações devem manter-se resilientes e adotar uma abordagem proativa à cibersegurança, tratando-a como a questão ao nível da gestão de topo que efetivamente é."












Nenhum comentário
Seja o primeiro!