
O recém-anunciado título cooperativo Dear Passengers alcançou a impressionante marca de 500 mil adições à lista de desejos da Steam poucas horas após a sua revelação oficial a 14 de julho. A euforia inicial em torno do projeto da produtora FLEXUS, focado em simular o caos de uma companhia aérea disfuncional, depara-se agora com uma onda de escrutínio público devido a aparentes piadas com figuras controversas e suspeitas sobre os métodos técnicos de desenvolvimento.
A receita para o caos cooperativo
A proposta central coloca os jogadores no papel de uma tripulação desastrosa, onde um participante assume os comandos da aeronave enquanto os restantes gerem passageiros e lidam com emergências a bordo. A inclusão de física ragdoll e a imprevisibilidade de eventos como turbulências severas, falhas de equipamento ou mudanças climáticas repentinas transformam cada voo num desafio de coordenação constante.
A preparação para cada partida exige planeamento, obrigando a equipa a escolher cuidadosamente as cargas e os viajantes. O risco financeiro está diretamente ligado ao grau de dificuldade: missões mais lucrativas envolvem passageiros altamente indisciplinados e mercadorias que exigem atenção redobrada. O lançamento no mercado premium para PC está agendado para 2026, com uma demonstração jogável já garantida para a edição deste ano da Gamescom, oferecendo aos entusiastas europeus a oportunidade de testarem a estabilidade da obra antes da chegada definitiva às lojas digitais.
Etiquetas polémicas e anúncios de emprego
A verdadeira controvérsia instalou-se quando a comunidade analisou o trailer promocional ao detalhe, identificando as inscrições "Epst. J" e "PDaddy" nas etiquetas de identificação das personagens. Uma grande fação de jogadores associou imediatamente as siglas a Jeffrey Epstein e P. Diddy. A tentativa de justificar "Epst." como um mero acrónimo para o programa European Pilot Selection & Training perdeu força após intervenções no servidor oficial de Discord. Nesse espaço, mensagens atribuídas a um elemento da equipa de produção chegaram a incentivar os utilizadores a partilharem mais memes sobre o assunto.
As críticas da comunidade alastraram-se rapidamente à componente técnica da produção, impulsionadas pela descoberta de uma vaga de emprego da FLEXUS focada na criação de conceitos. O perfil divulgado procurava especificamente candidatos com experiência na utilização de ferramentas de IA generativa. A descrição foi apagada pouco tempo após a denúncia pública, levantando suspeitas imediatas sobre a verdadeira origem dos materiais visuais apresentados no anúncio.
A defesa da produtora perante a crise
Sob intensa pressão mediática, a FLEXUS utilizou os seus canais de comunicação para tentar apaziguar a comunidade. Um representante esclareceu categoricamente que o estúdio repudia as ações de Epstein, negando que as referências gráficas do vídeo representem qualquer forma de apoio institucional ou tolerância face às figuras mencionadas.
O painel de comunicação da empresa abordou também a questão tecnológica, garantindo que o desenvolvimento decorre sem qualquer recurso a sistemas de inteligência artificial generativa. A página do título nas plataformas de distribuição reflete esta posição oficial, não apresentando qualquer aviso obrigatório sobre conteúdo gerado por algoritmos. Para o consumidor em Portugal que planeava adicionar o jogo à sua biblioteca, a atenção centra-se agora na forma como a produtora irá limpar a imagem do projeto e gerir o material promocional até à estreia, perante um mercado cada vez mais intolerante à falta de transparência técnica.












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