
A indústria dos videojogos atravessa um período de forte incerteza, marcado por despedimentos em massa e encerramento de estúdios, apesar das receitas do setor continuarem a crescer. No meio desta instabilidade laboral, a transição definitiva para um mercado sem discos ganha cada vez mais tração. Segundo um artigo avançado pela PC Gamer, Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, não vê o desaparecimento do formato físico como um problema grave, considerando que a medida terá até um impacto positivo na indústria.
A marca nipónica já terá estabelecido 2028 como a data limite para a eliminação dos jogos em disco na PlayStation. Para a comunidade de jogadores, esta imposição representa o adeus à verdadeira propriedade dos títulos, eliminando a possibilidade de os emprestar a amigos ou de os vender no mercado de usados. O responsável máximo da Ubisoft discorda da visão pessimista e relembra que as vendas digitais já representam a esmagadora maioria do consumo, cifrando-se entre 80% a 85% do total de transações em plataformas como a PS5.
A comparação com o mercado de PC
Na perspetiva de Guillemot, a adoção total da distribuição digital elimina de imediato os problemas de disponibilidade de stock físico e reduz os custos associados à criação dos discos. O executivo traça um paralelo com a transição que aconteceu nos computadores há mais de uma década, onde o fim das cópias físicas acabou por impulsionar a procura e a venda generalizada de jogos.
O argumento do CEO esbarra, no entanto, nas diferenças estruturais entre as plataformas. O mercado de PC prosperou no formato digital apoiado em lojas abertas e competitivas, lideradas pela Steam, que oferece um suporte robusto, acesso a modificações feitas por utilizadores (mods) e políticas de apoio ao cliente claras. Nas consolas, o cenário muda radicalmente. A Sony detém o controlo exclusivo da PlayStation Store, operando um ecossistema fechado que deixa os consumidores sem alternativas legais de concorrência ou regulação de preços através de lojas terceiras.
Consolas mais baratas sem leitores óticos
Para reforçar a sua posição a favor da transição, o responsável da produtora gaulesa aponta um benefício direto para a carteira dos consumidores a longo prazo. Sem a necessidade de fabricar, licenciar e integrar hardware de leitura ótica nas próximas gerações de consolas, os custos globais de produção das máquinas vão baixar de forma significativa. Guillemot defende que esta remoção de componentes resultará em consolas substancialmente mais baratas no momento da compra.
O posicionamento do executivo enquadra-se na estratégia revelada anteriormente pela própria empresa, altura em que Guillemot assumiu publicamente que os utilizadores teriam de se habituar à ideia de não possuir os jogos que compram. Com a meta de 2028 estipulada para a mudança definitiva, o mercado tradicional de retalho perde o seu último reduto de relevância, convertendo os jogadores em meros detentores de licenças de utilização nas bibliotecas das grandes marcas.












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