
O cofundador da Nothing, Akis Evangelidis, veio a público desmentir os relatos de que a fabricante estaria prestes a abandonar 12 mercados globais devido a uma quebra no envio de equipamentos. Através de um esclarecimento partilhado na rede social X, o executivo garantiu que as notícias postas a circular são incorretas e que os números avançados pela imprensa internacional estão substancialmente inflacionados. A tecnológica britânica encontra-se, na verdade, a reestruturar as suas operações internas e a consolidar a presença através de polos regionais de maior eficiência.
Reestruturação e criação de unidade de IA
No comunicado emitido por Evangelidis, o responsável explicou que a empresa não vai fechar portas em nenhum país, optando antes por agrupar mercados individuais em centros de gestão regional. Esta estratégia visa otimizar os recursos disponíveis para preparar a Nothing para a sua próxima fase de crescimento no setor da computação pessoal.
Como parte desta transformação, a marca anunciou a introdução de unidades de negócio dedicadas, com especial destaque para uma divisão inteiramente focada no desenvolvimento nativo de inteligência artificial.
Ainda que este processo de reorganização tenha tido impacto direto em determinados postos de trabalho, resultando em despedimentos na equipa, o cofundador escusou-se a revelar o número exato de colaboradores afetados. Evangelidis justificou a ausência de dados concretos com a necessidade de conformidade regulatória e com os processos de consulta legal que ainda decorrem a nível local, apelando à integridade do jornalismo tecnológico.
Vendas recorde e a crise dos componentes
Apesar do cenário de instabilidade macroeconómica que afeta o mercado global de smartphones, a Nothing aproveitou a ocasião para destacar o sucesso comercial dos seus equipamentos mais recentes. De acordo com os dados partilhados, o Phone (4b) quebrou recordes no seu segmento de preço ao registar a venda de 29.537 unidades logo no primeiro dia de lançamento.
Ainda assim, as mudanças estratégicas na Nothing surgem num momento de forte pressão sobre as margens de lucro dos telemóveis de gama média. O aumento generalizado no custo dos componentes tem vindo a sufocar o setor, não existindo perspetivas de alívio a curto prazo.
No mês passado, a empresa já tinha confirmado que a sua submarca de baixo custo, a CMF, não irá lançar novos dispositivos este ano devido à escassez prolongada de materiais na cadeia de abastecimento. O CEO da tecnológica, Carl Pei, revelou também que o preço dos chips de memória para o Phone (4a) duplicou desde o lançamento do modelo, alertando que a memória RAM pode agora representar metade do custo total de fabrico de um telemóvel novo.












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