
Um problema de segurança num sistema de proteção automóvel está a colocar uma vasta quantidade de condutores em risco sem o seu conhecimento. Segundo um estudo divulgado pela Universidade da Califórnia, investigadores descobriram uma falha crítica no sistema de alarme KARR, que permite a cibercriminosos desbloquear e imobilizar veículos através de uma simples ligação Bluetooth.
Este dispositivo, desenvolvido pelo Acrisure Protection Group, foi instalado por concessionários em mais de 2 milhões de automóveis nos EUA, com o objetivo original de evitar roubos nos próprios parques de vendas. O grande problema reside no facto de o equipamento permanecer no carro mesmo quando o cliente recusa pagar pela opção. O módulo continua a emitir sinais Bluetooth assim que o motor é ligado e até dez minutos após ser desligado. Estima-se que pelo menos metade dos condutores afetados nunca tenha consentido a sua instalação.
Chave partilhada abriu a porta a hackers
Durante a análise, a equipa de investigação notou que todos os dispositivos KARR partilhavam uma única chave de autenticação, facilmente visível e legível no código da aplicação oficial móvel. Com esta informação do seu lado, os especialistas conseguiram desenvolver uma aplicação própria, baseada no código original, capaz de enviar comandos para qualquer carro vulnerável nas proximidades.
Na prática, a vulnerabilidade permite destrancar portas, cortar a ignição de um veículo estacionado, impedir o arranque e até acionar a buzina e os faróis em simultâneo. Numa demonstração em ambiente real, os investigadores conseguiram identificar 97 automóveis equipados com o KARR em apenas 20 minutos.
Embora o erro não permita ligar o motor de forma direta, facilita drasticamente o acesso ao interior do veículo. Com as portas abertas, os ladrões necessitam apenas de utilizar um scanner de diagnóstico automóvel para assumir o controlo total da viatura.
Uma correção tardia e desvalorizada
A vulnerabilidade foi comunicada à Acrisure Protection Group em janeiro do ano passado. A empresa demorou quase dezoito meses a lançar uma atualização para os dispositivos, oferecendo uma solução apenas nas vésperas da apresentação pública dos resultados do estudo.
Em resposta ao caso, a entidade responsável minimizou a gravidade do cenário, classificando a vulnerabilidade como "muito complexa" e considerando que o risco de exploração é "baixo".
Para o mercado automóvel global e para os condutores em Portugal, este incidente serve de aviso claro sobre os perigos ocultos dos dispositivos pré-instalados em veículos modernos. Equipamentos que permanecem "adormecidos" na eletrónica do carro, mas ativos a nível de conectividade, representam pontos de entrada perigosos que escapam totalmente ao controlo do proprietário.












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