
O ecossistema das criptomoedas enfrentou um primeiro semestre de 2026 negro no que toca à segurança digital, registando o maior volume de invasões digitais de que há memória num período de seis meses. De acordo com o relatório mais recente da plataforma de segurança em cadeia Cointelegraph, os prejuízos globais da indústria já ultrapassaram a barreira de 1 milhão de milhões de dólares (cerca de 1 bilião de dólares à escala curta americana) devido à proliferação de investidas ilícitas perpetradas por cibercriminosos.
As redes Ethereum e Solana foram as mais penalizadas pelas investidas criminosas, totalizando perdas combinadas avassaladoras na ordem dos 332 milhões de dólares e 326 milhões de dólares, respetivamente.
Vulnerabilidades no ecossistema Ethereum
No caso da Ethereum, os atacantes concentraram os seus esforços na exploração de falhas nos códigos de programação de aplicações descentralizadas integradas na rede. Por albergar os serviços mais valiosos do setor, como plataformas de restaking, moedas estáveis (stablecoins) e corretoras descentralizadas, o ecossistema permanece no topo das prioridades dos atacantes.
A análise revelou que os métodos mais recorrentes incluíram falhas em pontes de ligação (bridges) e contratos inteligentes, manipulação direta de mercado e acessos não autorizados a contas administrativas de alto privilégio. Um dos maiores incidentes registados afetou a KelpDAO, resultando num desvio colossal de 292 milhões de dólares. Houve ainda falhas graves de chaves de segurança na Humanity Protocol e StablR, sendo a CoWSwap o único grande revés atribuído a erro dos utilizadores.
Chaves comprometidas afetam a Solana
O panorama na rede Solana alterou-se de forma acentuada face a períodos transatos. Se durante todo o ano de 2025 a rede registou perto de 127 milhões de dólares em fundos desviados, a primeira metade de 2026 viu esse valor explodir para quase igualar os prejuízos da Ethereum.
Desta vez, o calcanhar de Aquiles não foram os contratos inteligentes. Mais de 98% dos prejuízos na Solana deveram-se ao comprometimento de chaves privadas e da infraestrutura de assinaturas digitais, afetando projetos de relevo como a Drift Protocol e a Step Finance. Especialistas ligam a maioria destas investidas a grupos organizados de cibercrime associados à Coreia do Sul, evidenciando uma falha na segurança corporativa e operacional das organizações em detrimento de falhas puras de código.
O impacto prático no mercado
Para quem movimenta ativos nestas duas redes digitais, este cenário exige cuidados redobrados. A transição de táticas dos atacantes prova que a segurança não depende apenas da robustez do código de um protocolo, mas sim da proteção contínua de credenciais e acessos institucionais. Enquanto as auditorias de código tentam estancar as perdas na Ethereum, os utilizadores da Solana enfrentam o desafio de validar a integridade operacional das próprias plataformas onde depositam os seus ativos.












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