
A gigante automóvel BYD viu publicada uma nova patente que detalha uma abordagem inovadora na arquitetura de cátodos para baterias de estado sólido. Conforme avançou o CarNewsChina, o documento foi publicado pela Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China (CNIPA) a 28 de julho de 2026, sob o número de registo CN202510126712.6.
Esta nova solução técnica combina dois sistemas distintos de eletrólitos sólidos para tentar mitigar um dos maiores entraves no desenvolvimento destas células de energia de próxima geração.
Como funciona a tecnologia de eletrólito duplo
O design submetido pela BYD descreve um material compósito para o cátodo que junta eletrólitos de haleto, com partículas mais pequenas, a eletrólitos de sulfeto, que apresentam partículas de maior dimensão. Estes dois sistemas são misturados com o material ativo do cátodo para formar uma estrutura de elétrodo unificada.
O principal objetivo desta engenharia é resolver a instabilidade de contacto na interface sólido-sólido, que tende a degradar-se durante os ciclos repetidos de carga e descarga. O cientista-chefe do grupo BYD, Lian Yubo, apontou anteriormente que a estabilidade desta ligação física é um dos obstáculos técnicos mais complexos para a industrialização destas baterias, confirmando que o projeto se encontra numa fase de desenvolvimento ativo.
Adicionalmente, o diretor tecnológico da divisão de baterias de lítio da BYD, Sun Huajun, referiu que a proporção de material ativo no cátodo desta arquitetura já ultrapassou os 85%. Contudo, a marca ainda não divulgou dados de desempenho ou testes concretos em ambiente real.
Desafios na comercialização em massa
Este registo junta-se a outras investigações recentes da fabricante. Em maio de 2026, a empresa já tinha revelado uma patente para uma membrana eletrolítica compósita que associava partículas inorgânicas a uma rede de fibras poliméricas, alinhando-se com a tendência do mercado para soluções baseadas em sulfetos.
Apesar do forte investimento no setor, a transição dos laboratórios para as linhas de produção em grande escala continua a ser vista como um desafio a longo prazo. O presidente da rival CATL, Robin Zeng, já alertou que a adoção massiva desta tecnologia em veículos comerciais ligeiros ainda demorará vários anos a concretizar-se, dadas as dificuldades de fabrico.
Estudos independentes, como o liderado por Wu Fan no Instituto de Física da Academia Chinesa de Ciências, indicam que a utilização de partículas de sulfeto mais pequenas melhora a retenção de capacidade em quase 18 pontos percentuais face a partículas maiores. Embora estes dados forneçam contexto à indústria, a BYD não confirmou se os resultados se aplicam diretamente ao seu novo componente elétrico nem avançou com prazos para a introdução em veículos de produção.












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