
O mercado automóvel na China registou uma contração generalizada durante os primeiros 26 dias de julho, impulsionado pela tradicional desaceleração sazonal. No entanto, os veículos de novas energias (NEV), que incluem modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in, continuam a demonstrar uma resiliência superior à dos automóveis com motores a combustão interna, ganhando ainda mais terreno na quota de mercado.
Segundo os dados partilhados pelo CNEVPost, o retalho de veículos eletrificados de passageiros em território chinês totalizou 738.000 unidades entre 1 e 26 de julho. O volume representa uma ligeira descida de 2% em comparação com o mesmo período do ano passado e uma quebra de 10% face ao mês anterior. No acumulado do ano, as vendas a retalho de NEV na China alcançaram os 5,443 milhões de veículos, o que assinala um recuo homólogo de 13%.
Penetração de eletrificados bate recordes
Apesar dos volumes absolutos mais baixos, a taxa de penetração dos veículos de novas energias no retalho disparou para os 65,7% no período analisado, superando os 63% registados nas primeiras três semanas de julho. Esta subida percentual foi motivada, sobretudo, pela forte e contínua retração do mercado de veículos a combustão.
Nas vendas por grosso (wholesale), os fabricantes estabelecidos no país distribuíram 820.000 veículos eletrificados, um crescimento de 6% em termos homólogos, mas um tombo de 27% face a junho. Neste canal, a penetração dos NEV atingiu a marca dos 70%, com o acumulado anual a fixar-se nos 7,608 milhões de unidades, um avanço de 5% face ao período homólogo.
Combustão interna arrasta mercado total
O cenário geral do setor automóvel permaneceu fragilizado. No total, o retalho de passageiros na China somou 1,123 milhões de unidades nos primeiros 26 dias do mês, afundando 18% em termos homólogos e 13% face ao mês anterior. Desde janeiro, o mercado total de retalho contraiu 20%, fixando-se nos 9,824 milhões de veículos.
A quebra foi visível no ritmo diário de vendas ao longo das semanas de julho:
1 a 5 de julho: média diária de 33.894 unidades (queda homóloga de 15%).
6 a 12 de julho: média diária de 39.045 unidades (queda homóloga de 16%).
13 a 19 de julho: média diária de 46.719 unidades (queda homóloga de 18%).
20 a 26 de julho: média diária de 50.454 unidades (queda homóloga de 23%).
A Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA) explicou que o enfraquecimento na distribuição por grosso deveu-se à pressão exercida pelas marcas em junho para cumprirem as metas do primeiro semestre, esgotando parte da procura. Adicionalmente, o aumento invulgar nos preços do petróleo e os elevados inventários nos concessionários levaram os fabricantes a travar as linhas de produção e os envios.
Exportações funcionam como almofada
Para os construtores locais, o mercado internacional tem funcionado como um importante balão de oxigénio para mitigar a menor procura interna. A China exportou 5,31 milhões de veículos nos primeiros seis meses de 2026, um disparo de 53% em termos homólogos. Só em junho, os envios para o estrangeiro atingiram 1,07 milhões de unidades.
O desempenho foi ainda mais expressivo no segmento dos veículos eletrificados. Em junho, foram exportados 463.000 NEV, o que representa um crescimento de 59% face ao ano anterior. Na primeira metade de 2026, o volume acumulado de exportações de elétricos e híbridos alcançou os 2,42 mil milhões de unidades, progredindo 70% em termos homólogos. Para quem acompanha o setor em Portugal e na Europa, este fluxo contínuo antecipa uma pressão acrescida na oferta e competitividade de modelos chineses no mercado europeu nos próximos meses.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!