
Comprar memória RAM para o computador vai tornar-se uma missão cada vez mais cara e difícil. Segundo avançou o Wccftech, CK Chang, o diretor executivo da Apacer, alertou que a oferta de memória DRAM básica vai sofrer uma queda abrupta de 70% em 2027. Esta previsão alinha-se com os receios já partilhados pela SK Hynix, apontando o próximo ano como o pior momento na história da indústria para o consumidor comum adquirir novos módulos de memória.
A febre da inteligência artificial dita as regras
A raiz deste problema não reside numa quebra de produção global, mas sim numa mudança drástica de prioridades. Desde a explosão da inteligência artificial generativa, o setor tecnológico entrou numa corrida desenfreada por hardware capaz de treinar e operar modelos complexos. Este processo exige milhares de placas gráficas a trabalhar em conjunto, apoiadas por quantidades massivas de memória rápida.
Como resultado direto desta dinâmica, a RAM que seria destinada aos computadores e portáteis dos consumidores está a ser relegada para segundo plano. A análise de CK Chang indica que os fabricantes deverão colocar no mercado apenas 30% da memória originalmente planeada para o mercado de consumo ao longo de 2027.
Produção aumenta, mas foge dos consumidores
Paradoxalmente, o volume total de memória produzida a nível mundial vai crescer. O foco da indústria, contudo, estará nas memórias HBM (High Bandwidth Memory), que são um componente crítico para os aceleradores de IA. A Samsung, por exemplo, planeia expandir a sua produção de HBM de 12 mil milhões de GB em 2026 para 20 mil milhões de GB em 2027. A SK Hynix seguirá uma trajetória idêntica, passando de 18 mil milhões para 24 mil milhões de GB no mesmo período.
Para o mercado português, a implicação prática é clara: quem tenciona montar um computador novo ou atualizar a máquina atual deve considerar antecipar a compra ainda em 2026. Com a procura do setor corporativo a devorar quase toda a capacidade de fabrico das grandes marcas, os utilizadores comuns que ficarem no fim da lista de prioridades enfrentarão prateleiras mais vazias e um agravamento significativo dos preços durante o próximo ano.












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