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Amazon a cuspir dinheiro

O gigante do comércio online Amazon excedeu as suas previsões financeiras e gastou 1,8 milhões de dólares (cerca de 1,65 milhões de euros) num único projeto de programação gerido pela inteligência artificial Claude Sonnet. Segundo avançou o Tom's Hardware, esta despesa imprevista representou uma escalada de 860% face ao orçamento inicialmente estabelecido para a tarefa.

A missão original consistia em automatizar a vinculação dos dados de autores aos catálogos da plataforma, um processo considerado rotineiro. Os custos dispararam drasticamente devido a sucessivos erros gerados pela ferramenta da Anthropic, que consumiram um volume imprevisto de tokens. A empresa defendeu a derrapagem com o argumento de que a tecnologia é recente, exigindo um período natural de experimentação e aprendizagem interna para afinar procedimentos.

O custo real da automatização de tarefas

A dependência corporativa de modelos comerciais fechados apresenta faturas que muitas vezes rivalizam com o trabalho humano tradicional, deitando por terra a idealização de poupança garantida. O modelo de negócio destas ferramentas baseia-se no preço por tokens de entrada e saída, onde soluções concorrentes como o GPT da OpenAI costumam apresentar tarifários bastante inferiores aos do Claude. O mercado subestima frequentemente os gastos reais gerados pela inteligência artificial, promovendo a máxima utilização da tecnologia sob o formato de tarifação contínua.

Os investimentos diretos neste tipo de ferramentas acumularam despesas adicionais significativas dentro da mesma organização. Foram alocados 541.000 dólares (cerca de 495.000 euros) para desenvolver uma ferramenta de auditoria financeira, a que se somaram 134.000 dólares (aproximadamente 122.000 euros) num sistema desenhado para reduzir os tempos de entrega. O valor global de quase 2 milhões de dólares despendido apenas no projeto de vinculação de autores representa, contudo, somente 0,1% das receitas mensais da multinacional. Para o tecido empresarial europeu e português, a situação serve como aviso claro sobre os perigos da transição tecnológica sem monitorização rígida de consumos.

A nova moeda no mercado de trabalho tecnológico

Perante a escalada constante do preço da computação, os próprios salários começam a sofrer adaptações estruturais curiosas no setor. O diretor executivo da NVIDIA apresentou recentemente um modelo laboral onde os engenheiros da marca recebem metade do seu salário base na forma de tokens de inteligência artificial.

Estes pacotes funcionam como créditos de uso corporativo, desenhados especificamente para incentivar a produtividade e a velocidade de execução de código. Num cenário em que as fabricantes valorizam ativamente os trabalhadores que consomem mais tokens nas suas tarefas diárias, a gestão imprevisível destes recursos dita o sucesso operacional ou os desvios orçamentais severos das empresas globais.

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