
O mercado global de smartphones registou um encaixe recorde de 109 mil milhões de dólares (cerca de 99,8 mil milhões de euros) no segundo trimestre de 2026, o que representa uma subida de 7% em termos homólogos. De acordo com os dados publicados pelo IT Home, baseados em relatórios da Counterpoint Research e da Omdia, este crescimento financeiro aconteceu mesmo perante uma quebra de 6% no volume de envios, que se fixou nos 272 milhões de unidades. O avanço deve-se, sobretudo, ao encarecimento geral dos dispositivos e a uma forte tendência de consumo focada nos segmentos superiores.
Preços sobem devido aos componentes
O preço médio de venda de um smartphone disparou 17% a nível global, fixando-se nos 400 dólares (aproximadamente 366 euros). Os analistas apontam a subida dos custos dos componentes como o principal motivo para esta evolução, levando as fabricantes a priorizarem a margem de lucro em detrimento do volume puro de vendas.
Para mitigar o impacto no bolso dos consumidores, estratégias comerciais como o pagamento faseado, campanhas de retoma e promoções têm ajudado a reduzir a barreira de entrada para os modelos topo de gama, revelando uma forte eficácia inclusive nos mercados emergentes.
Apple e Samsung dividem o topo
A Apple liderou o crescimento financeiro entre as grandes marcas ao registar uma subida de 22% nas receitas deste setor. Com este desempenho, a gigante de Cupertino passou a deter uns históricos 49% da receita total do mercado mundial de smartphones. O sucesso assentou na procura sólida pela linha iPhone 17, com particular destaque para o modelo base e o topo de gama iPhone 17 Pro Max. Ao contrário da concorrência, a marca da maçã optou por absorver a escalada dos custos de produção em vez de aumentar os preços de forma imediata, embora os analistas sugiram potenciais agravamentos nos próximos trimestres.
Por sua vez, a Samsung assegurou a segunda posição ao absorver 16% da receita global, com um crescimento simétrico de 9% tanto nas receitas como no volume de dispositivos enviados. A gama Galaxy A continuou a sustentar os volumes da tecnológica sul-coreana, ao passo que a linha Galaxy S26 reforçou a presença nos patamares mais caros. A marca beneficiou da sua forte integração vertical para conter despesas, aplicando aumentos de preço apenas em moldes muito seletivos.
Marcas chinesas enfrentam dificuldades
Em sentido inverso, a Xiaomi sofreu a quebra mais acentuada entre as cinco principais fabricantes mundiais, com uma queda de 26% nos envios de equipamentos. Apesar de ter aumentado o preço médio dos telemóveis em 13%, a receita da empresa recuou 17%. Esta vulnerabilidade decorre da forte dependência da marca face aos segmentos de entrada e gama média, os mais afetados pela atual crise no stock de memórias. Como resposta, a Xiaomi decidiu encolher o catálogo de produtos e focar-se em dispositivos com margens de lucro superiores.
De igual modo, a OPPO e a vivo enfrentaram reduções nas receitas de 10% e 11%, respetivamente, mesmo com subidas no preço médio de venda. A vivo chegou a registar o crescimento de preço médio mais veloz do lote da frente (13%), mas as atualizações de tabela não foram suficientes para compensar a retração da procura nos mercados mais sensíveis ao preço. A nível de fornecimento, a escassez de chips de armazenamento deverá manter a pressão sobre os preços finais nos próximos meses.












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