
A Apple encerrou o terceiro trimestre fiscal de 2026 com um crescimento expressivo, num relatório financeiro que fica para a história como o último apresentado sob a alçada de Tim Cook enquanto CEO da fabricante. A gigante tecnológica gerou receitas de 109,4 mil milhões de dólares, um salto de 16% face ao período homólogo do ano anterior.
O lucro líquido acompanhou a tendência de subida e fixou-se nos 29,79 mil milhões de dólares, o que se traduz num ganho de 2,02 dólares por ação. Estes valores superam confortavelmente a marca registada no mesmo período de 2025, altura em que o lucro se situou nos 23,43 mil milhões de dólares (1,57 dólares por ação).
Durante a apresentação dos resultados correspondentes ao fecho de junho, Tim Cook enalteceu o desempenho da empresa. O executivo destacou o crescimento de dois dígitos que atravessou as vendas do iPhone, dos computadores Mac e o setor dos Serviços, com impacto transversal em todas as regiões geográficas globais. A introdução da nova versão da Siri, alavancada por inteligência artificial e apresentada na recente WWDC26, bem como os novos mecanismos de segurança infantil no ecossistema, foram igualmente apontados como fatores de forte entusiasmo no mercado.
O peso do hardware e a crise nos componentes
As vendas líquidas do terceiro trimestre de 2026 dividiram-se entre a categoria de Produtos, que gerou 78,67 mil milhões de dólares, e a área de Serviços, que fechou nos 30,73 mil milhões de dólares. O detalhe financeiro revela uma evolução generalizada, com o iPhone a manter-se como o motor principal da receita:
iPhone: 54,25 mil milhões de dólares (contra 44,58 mil milhões em 2025);
Mac: 10,35 mil milhões de dólares (contra 8,04 mil milhões em 2025);
Serviços: 30,73 mil milhões de dólares (contra 27,42 mil milhões em 2025);
Wearables, Casa e acessórios: 7,88 mil milhões de dólares (contra 7,40 mil milhões em 2025);
iPad: 6,19 mil milhões de dólares (representando a única queda face aos 6,58 mil milhões de 2025).
Apesar destes números, a escassez global de memórias está a afetar o mercado. O desequilíbrio entre a oferta e a procura forçou a marca a reajustar a tabela de preços nos iPads e Macs — uma inflação nos custos de produção que se reflete, habitualmente, num encarecimento direto para o consumidor final em Portugal e na Europa, devido aos impostos locais. O iPhone tem escapado, por agora, a estes ajustes. Curiosamente, a robustez das contas não evitou uma queda de 6% no valor das ações da empresa após a conferência com os investidores.
A transição histórica de liderança
Este trimestre dita a despedida de Tim Cook do cargo de CEO, posição que ocupa desde 2011, após ter entrado na fabricante em 1998. Sob a sua gestão, a marca norte-americana introduziu pilares modernos como o Apple Watch, os AirPods e, mais recentemente, o Apple Vision Pro, além de ter estabelecido um forte catálogo de serviços por subscrição.
A 1 de setembro de 2026, John Ternus assume o cargo de diretor executivo. O novo CEO iniciou o seu percurso na marca em 2001 e desempenhava as funções de vice-presidente sénior de engenharia de hardware desde 2013. Cook transita para a presidência executiva do conselho de administração.
Na abertura para a habitual sessão de perguntas e respostas, conduzida juntamente com o executivo Kevin, Tim Cook dedicou algumas palavras aos acionistas: "A transição está a ocorrer de forma muito tranquila, e estou extremamente entusiasmado com a ideia de o John assumir a sua nova função e liderar a Apple na sua próxima era".
O líder cessante fez questão de garantir que a fabricante fica entregue a um "profissional excecional, e não há pessoa melhor para assumir o comando da empresa", rematando com otimismo: "Temos um futuro brilhante pela frente e, sinceramente, nunca estive tão otimista".












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