
Um estudo recente publicado na revista científica The Astrophysical Journal revelou que uma equipa de astrónomos utilizou a inteligência artificial para detetar sete novos candidatos a quasares. A descoberta, alcançada a partir da análise aprofundada aos registos do Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI), representa um marco importante para a astronomia, uma vez que duplica a quantidade conhecida destes objetos raros e promete oferecer novas pistas sobre a evolução das galáxias.
Lentes gravitacionais como janelas para o passado
Os quasares destacam-se por serem centros galácticos de um brilho extremo, cuja energia provém da alimentação ativa de buracos negros supermassivos. Na prática, esta luminosidade intensa acaba por ofuscar a totalidade da galáxia hospedeira, o que levanta um obstáculo enorme à observação direta por parte de quem estuda o espaço.
Para contornar esta limitação visual, os cientistas procuram cenários excecionais onde o quasar atua como uma lente gravitacional. Nestes casos, a gravidade massiva do objeto distorce o espaço ao seu redor e funciona como uma lupa cósmica natural, ampliando a luz de corpos celestes localizados a distâncias ainda maiores e permitindo observar em simultâneo o quasar e a galáxia distante.
"Os quasares são como fotografias de bebé de um buraco negro supermassivo. Portanto, explorar como vamos de quasares a esses buracos negros é realmente importante", explicou Everett McArthur, autor principal da investigação e estudante de astronomia na Universidade do Estado do Ohio, sublinhando o valor destas observações para a compreensão do cosmos.
O papel do algoritmo perante o limite humano
A principal barreira metodológica que a equipa enfrentou foi a ausência de um volume substancial de registos passados. Dada a escassez de quasares com estas características de refração gravitacional já documentados, não existiam exemplos reais suficientes para treinar o modelo de inteligência artificial de forma fiável. A estratégia passou por gerar simulações computacionais de alinhamentos cósmicos, ensinando o algoritmo a reconhecer os padrões físicos corretos antes de avançar para a varredura do arquivo real.
O projeto DESI dedica-se a mapear milhões de galáxias e gera pacotes de dados de uma dimensão colossal, cuja análise exaustiva por via humana consumiria anos de trabalho impraticável. A intervenção da IA permitiu filtrar este arquivo massivo com rapidez, reduzindo as ocorrências a cerca de 200 candidatos viáveis. A partir dessa triagem, os investigadores realizaram uma revisão manual intensiva que culminou na identificação final dos sete novos quasares.
Embora o algoritmo tenha acelerado drasticamente a descoberta, a comunidade astronómica aponta que o próximo passo exige a captação de novas observações espaciais. Só assim será possível confirmar definitivamente os candidatos propostos e estudar em detalhe o comportamento e a estrutura de cada um.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!