
Várias aplicações populares disponíveis para as Smart TV da Samsung contêm código oculto que partilha a ligação à internet dos utilizadores com terceiros. A descoberta, revelada pela empresa de cibersegurança Mnemonic, expõe milhões de televisores ao risco de serem controlados remotamente para atividades ilícitas, transformando os equipamentos em autênticos túneis de tráfego para desconhecidos.
O perigo das redes de proxy residencial
De acordo com a investigação, o software malicioso integra as televisões em redes conhecidas como proxies residenciais (ou "resproxies"). Quando o utilizador abre uma destas aplicações, o dispositivo passa a funcionar como um nó de saída. Isto significa que cibercriminosos ou piratas informáticos podem pagar para fazer passar o seu próprio tráfego de internet pela ligação doméstica ou empresarial do proprietário da TV.
O grande problema destas redes é que, uma vez ativado o código, o túnel mantém-se ligado em segundo plano, mesmo depois de a aplicação ter sido fechada. Para as equipas de cibersegurança, detetar este tipo de atividade é um desafio complexo: o tráfego surge na rede de forma encriptada e aparenta vir de um lar legítimo e comum, camuflando a origem real de ataques informáticos ou roubos de dados lançados a partir do estrangeiro.
Falhas na validação da loja da Samsung
A Samsung chegou a recomendar e a destacar na secção "Escolha do Editor" pelo menos um dos jogos afetados — uma versão simples do clássico Pac-Man. Segundo os programadores das apps envolvidas, estes títulos somam centenas de milhões de instalações globais.
O relatório aponta que a proliferação destes perigos se deve à forma como a gigante sul-coreana analisa os projetos na sua loja. Muitas destas aplicações são estruturas básicas com poucas linhas de código, cujo único objetivo é carregar conteúdos alojados em servidores externos. Durante a revisão técnica da marca, apenas o código inicial é validado, permitindo que as ferramentas maliciosas sejam injetadas posteriormente através da internet sem o conhecimento dos filtros de segurança.
Resposta oficial e remoção das apps
Após ser contactada pela imprensa tecnológica, a tecnológica informou que já começou a aplicar políticas rigorosas na sua plataforma para banir kits de desenvolvimento (SDK) associados a proxies residenciais. A marca garantiu que está a trabalhar para identificar e remover todas as aplicações ativas que incluam estes componentes, além de ter bloqueado novos registos com tais funções.
Esta decisão surge pouco tempo depois de a rival LG ter tomado uma medida idêntica no seu ecossistema, após auditorias revelarem que cerca de 42% das aplicações da sua loja alistavam secretamente as televisões em redes partilhadas.
Para quem utiliza estes sistemas em Portugal, o aviso serve de alerta para a necessidade de auditar os jogos e utilitários instalados. Embora o tráfego analisado na investigação estivesse a ser usado maioritariamente para a recolha massiva de dados públicos e treino de inteligência artificial, uma alteração remota no servidor dos atacantes pode ativar instantaneamente os equipamentos numa rede de computadores zombies ("botnet") para fins muito mais graves.












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