
Os vídeos produzidos integralmente por inteligência artificial deixam de ser recomendados na secção Spotlight do Snapchat. A medida visa valorizar a produção humana autêntica e afastar conteúdos sintéticos repetitivos da plataforma, conforme revelado num comunicado oficial da Snap publicado a 31 de julho.
A decisão cumpre o plano anunciado pela empresa em abril para penalizar conteúdos automatizados. Na nota oficial, a equipa da rede social explicou a motivação da alteração: "A partir deste mês e no futuro, os vídeos totalmente gerados por IA deixarão de ser elegíveis para recomendação no Spotlight. À medida que o conteúdo de baixa qualidade, repetitivo e gerado por IA se torna cada vez mais comum na internet, queremos que o Spotlight continue a ser um local onde as pessoas possam descobrir a criatividade autêntica de pessoas reais, porque acreditamos que existe um valor duradouro em recompensar perspetivas originais, narrativas pessoais e os momentos que as pessoas escolhem criar e partilhar por si próprias."
Ansiedade da Geração Z e regras da União Europeia impulsionam mudança
A alteração de políticas surge num momento em que o público jovem demonstra ceticismo face ao avanço das ferramentas sintéticas. Uma sondagem da Gallup realizada em abril de 2026 revelou que 42% dos jovens da Geração Z sentem ansiedade em relação à inteligência artificial. Embora mais de metade deste grupo utilize ferramentas de IA semanalmente, a rejeição de conteúdos automatizados tem vindo a aumentar entre os utilizadores que constituem a base principal da aplicação.
Em simultâneo, o contexto regulatório na Europa pressiona as plataformas digitais a adotarem maior transparência. A entrada em vigor da nova legislação da União Europeia sobre inteligência artificial, especificamente o Artigo 50.º, exige a identificação clara de conteúdos gerados por computador, definindo quatro exceções à obrigatoriedade de rotulagem. Embora a Snap não tenha mencionado diretamente a lei europeia na sua declaração, o calendário da decisão coincide com a implementação das novas normas comunitárias.
Reações divididas nas redes sociais sobre o papel da inteligência artificial
A receção da medida na rede social X gerou debate entre criadores e observadores. Vários utilizadores apoiaram a iniciativa de proteger a interação humana genuína, enquanto outros aproveitaram a oportunidade para criticar a carga publicitária da aplicação. A ausência de uma definição clara sobre onde termina a ajuda técnica e onde começa um vídeo totalmente gerado por software também levantou dúvidas.
Um dos comentários em destaque questionou a fronteira da colaboração técnica: "Não estou na vossa plataforma, mas estou a questionar-me sobre algumas coisas: a questão são os bots ou a utilização de IA? Um design ou vídeo criado através de IA com instruções humanas, e até ajustado várias vezes para obter o resultado correto, é colaborativo por natureza e não algo que a IA gerou sozinha." Outro participante reforçou a importância do contacto humano autêntico, afirmando que "a atitude contra a IA vai ser um grande negócio no futuro. Aliás, a razão pela qual uso as redes sociais é porque quero falar com pessoas reais. O que raio vou fazer com este conteúdo gerado por IA?".












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