
Um antigo funcionário do FBI foi detido após desviar o equivalente a cerca de 915 mil euros (1 milhão de dólares ou 5,1 milhões de reais pela cotação original) em criptomoedas ligadas a investigações federais. O caso ganha contornos insólitos porque o acusado recorreu à inteligência artificial para procurar aconselhamento financeiro e planear a sua fuga para a Europa. Segundo os documentos judiciais revelados na segunda-feira (3), e conforme avançado pela CNN, Patrick Steven Yaroch transferiu os ativos digitais para carteiras que o próprio controlava, aproveitando os seus acessos privilegiados aos sistemas da agência.
As operações ilícitas decorreram entre o final de 2024 e o início de 2025. Durante este período, a justiça aponta que Yaroch realizou entre 10 e 12 transferências a partir de contas que estavam sob investigação. O antigo agente tinha acesso aos ativos enquanto trabalhava na equipa de investigação de segurança nacional do FBI, um grupo que apurava um caso relacionado com uma "nação adversária" dos EUA.
O plano de fuga traçado pela IA
Frustrado com a incapacidade das autoridades em travar as ações dos detentores originais das criptomoedas, o ex-agente decidiu desviar os fundos. Contudo, o que mais surpreendeu os investigadores foram os registos encontrados no seu telemóvel apreendido. Yaroch recorreu ao ChatGPT para delinear os seus próximos passos, tanto a nível de investimentos como de evasão.
"Se tivesses muito dinheiro (cerca de 1 milhão de dólares) e quisesses sair dos EUA e tornar-te residente ou cidadão de um país da UE, o que farias?", perguntou à inteligência artificial da OpenAI numa das mensagens anexadas ao processo. Noutras interações, procurou obter sugestões para maximizar o retorno financeiro do montante roubado. A resposta do bot foi direta: aconselhou o utilizador a investir em setores como a "viticultura e agricultura", sugerindo especificamente que priorizasse cidades em Portugal caso procurasse um estilo de vida mais tranquilo.
Arrependimento e tolerância zero
A descoberta destas movimentações levou a uma investigação interna que culminou na demissão e detenção de Yaroch. O ex-agente enfrenta agora múltiplas acusações na justiça pela transferência ilegal dos ativos digitais.
A agência federal norte-americana não poupou críticas à conduta do seu antigo colaborador. Em declarações à reportagem original, o FBI sublinhou a sua posição: "Exigimos que os nossos funcionários sigam os mais altos padrões éticos, e essa conduta não é tolerada no FBI. Estamos a conduzir uma investigação minuciosa e, como se trata de um assunto em andamento, não faremos mais comentários".
Apesar de ter procurado refúgio e ponderado o mercado imobiliário e agrícola português, os documentos do tribunal revelam que o peso das suas ações já se fazia sentir. Numa conversa com um colega de trabalho, Yaroch demonstrou arrependimento, confessando que uma "vergonha o estava a consumir por dentro". O processo judicial continua a decorrer nos tribunais norte-americanos.












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