
A empresa portuguesa DigitalSign lançou o AgentID, um novo serviço focado em atribuir uma identidade digital a agentes de IA e robôs autónomos. Segundo revelou a tecnológica em comunicado, o desenvolvimento resulta de uma parceria com o Laboratório de Automação e Robótica da Universidade do Minho, visando garantir respostas atempadas aos requisitos do Regulamento Europeu eIDAS e da legislação europeia para a inteligência artificial.
Esta colaboração centra-se no estudo de sistemas robóticos e na definição de normas transversais para o controlo de permissões, autenticação, rastreabilidade e integridade das instruções das máquinas. O principal veículo de testes da equipa tem sido o projeto CHARMIE, um robô que alcançou recentemente o segundo lugar na RoboCup@Home 2026, competição global de robótica de assistência doméstica que decorreu em Incheon, na Coreia do Sul. O evento avalia de forma rigorosa as capacidades de interação com pessoas, reconhecimento espacial e transporte de objetos.
"O investimento no CHARMIE permite-nos acompanhar de perto a evolução da robótica e compreender desafios que serão igualmente relevantes para agentes de IA", afirmou Fernando Moreira, CEO da DigitalSign. O dirigente destacou ainda a urgência desta evolução tecnológica: "Quando um sistema autónomo executa uma tarefa, acede a informação ou toma uma decisão em nome de terceiros, torna-se necessário saber qual é a sua identidade, que permissões possui e sob a responsabilidade de que entidade está a atuar".
Novos mecanismos de confiança digital
A proliferação de entidades automatizadas a atuar na economia exige formas de validar a origem de cada ação técnica. O AgentID replica o modelo tradicional que atesta a veracidade de uma assinatura humana ou empresarial, adaptando-o para operações realizadas por software independente. Esta camada de proteção ganha importância crítica em setores industriais, financeiros e clínicos, onde o acesso a dados exige garantias inabaláveis sobre quem solicitou a operação e com que legitimidade.
Fernando Ribeiro, Professor na Universidade do Minho e líder do Laboratório de Automação e Robótica, aponta a relevância prática dos ensaios em curso. "O CHARMIE permite testar capacidades robóticas em cenários próximos da utilização real", referiu. O académico reforçou que a parceria "contribui também para antecipar questões que ganham importância à medida que os sistemas autónomos evoluem, nomeadamente a forma como são identificados, autorizados e integrados em ambientes onde interagem com pessoas, informação e infraestruturas".
Preparação para as exigências europeias
O enquadramento legal na Europa está a mudar rapidamente, e a solução agora apresentada procura alinhar as infraestruturas portuguesas com as futuras obrigações estipuladas pela diretiva NIS2 e pelo AI Act. A partir de dezembro de 2026, passará a ser obrigatório que sistemas e agentes de IA integrados em setores críticos cumpram requisitos estritos de registo de eventos e controlo de acesso.
A estratégia assumida pelas duas entidades nacionais garante que o mercado terá soluções testadas antes do prazo estipulado por Bruxelas. O esforço conjunto deverá continuar a desenhar cenários de risco, preparando a base para um mercado onde a presença de robôs e assistentes virtuais requererá a mesma segurança burocrática exigida a qualquer operador humano.












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