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IA em treino

Ensinar uma máquina a reconhecer padrões e a interagir com os utilizadores tornou-se mais acessível na base, mas as exigências da tecnologia de ponta mantêm o domínio nas mãos de poucas empresas. De acordo com dados compilados pelo Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence (Stanford HAI), os custos associados a tarefas computacionais básicas caíram drasticamente. O processo de treino continua, no entanto, a enfrentar desafios práticos como informações desatualizadas, consumo de energia massivo e graves riscos de enviesamento nos dados fornecidos ao sistema.

Como as máquinas descobrem as regras sozinhas

Originalmente, qualquer inteligência artificial nasce como uma folha em branco, desprovida de conhecimento pré-programado. Ao contrário do software tradicional, em que um programador define comandos fixos para a navegação do utilizador, a máquina tem de descobrir as regras matemáticas através de observação repetida. O processo ocorre em ciclos ininterruptos: o modelo recebe exemplos, efetua uma previsão e avalia o resultado para verificar se acertou ou errou. Através de um algoritmo de otimização conhecido como gradiente descendente, a tecnologia ajusta os seus parâmetros para minimizar a taxa de erro.

Existem diferentes abordagens para esta aprendizagem inicial. No formato supervisionado, os dados são introduzidos no sistema com as respostas corretas já catalogadas, como radiografias marcadas com anomalias reais, permitindo à máquina associar os elementos visuais. Na via não supervisionada, a IA tem de procurar padrões de forma autónoma em informações sem rótulos. Existe também a aprendizagem por reforço, que opera puramente por tentativa e erro com base em sinais matemáticos que validam ou invalidam as respostas.

Depois de dominar os conceitos gerais, as redes neurais, estruturas eletrónicas que correm em milhares de transístores inspiradas no cérebro humano, passam por uma fase de ajuste fino conhecida como "fine-tuning". Esta etapa recorre a informações muito específicas para especializar a tecnologia numa função. É este ciclo que permite criar sistemas de visão computacional, veículos autónomos, tradutores e ferramentas de geração de conteúdo, variando exclusivamente o tipo de dados consumido durante o treino.

O peso do hardware e a expansão empresarial

A criação dos modelos mais competentes da atualidade exige um poder de processamento titânico, acessível apenas a quem dispõe de milhares de processadores gráficos a trabalhar de forma contínua. A Nvidia domina este segmento de infraestrutura, tendo vencido recentemente as 7 categorias da exigente avaliação de desempenho MLPerf Training.

O barateamento dos treinos iniciais em processos mais curtos é evidente na indústria. Em 2017, instruir um sistema simples para classificar fotografias custava 1.000 dólares (cerca de 950 euros); em 2022, esse valor caiu para apenas 5 dólares (aproximadamente 4,75 euros). Esta quebra nos preços abriu portas para que empresas de software, como a gigante TOTVS, construíssem os seus próprios modelos genéricos a partir do zero para o mercado de gestão empresarial (B2B), resultando na ferramenta LYNN.

A necessidade de vastas quantidades de texto e imagem para alimentar estes sistemas tem originado disputas comerciais acesas. Tornou-se comum o mercado tecnológico deparar-se com acusações de "destilação não autorizada", uma prática em que empresas capturam as respostas geradas por ferramentas concorrentes para treinar as suas próprias máquinas.

O futuro da inferência e as barreiras da regulação

A capacidade de analisar milhões de dados numa questão de segundos esconde riscos estruturais que começam a preocupar os reguladores governamentais. O elevado consumo computacional exige centrais de processamento muito dispendiosas. Além disso, a dependência de bases informativas pré-existentes leva as plataformas a replicarem enviesamentos e preconceitos humanos em decisões automatizadas, algo especialmente crítico em setores como o crédito financeiro e a saúde, devido às exigências da lei.

Para colmatar a escassez de dados reais sobre cenários raros, como acidentes de trânsito pouco comuns, os laboratórios focam-se na utilização de dados sintéticos criados artificialmente. Outra mudança profunda passa pela "escala em tempo de inferência", onde o modelo pausa o envio da resposta para processar o raciocínio. A evolução destes parâmetros mantém o custo da operação elevado, mas altera a forma como é cobrado: as tarefas mais complexas consomem mais "tokens", a unidade de medida do processamento, provando que o barateamento aparente dos sistemas básicos esconde faturas pesadas na execução final das tarefas de alto nível.

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