
A plataforma de geração de música por inteligência artificial Suno anunciou um conjunto de novas ferramentas destinadas a identificar faixas criadas no seu serviço, restringir descargas e combater a proliferação de temas clonados. Segundo revelou a empresa através de informações avançadas pelo TechCrunch, estas medidas surgem numa altura em que a tecnológica enfrenta uma vaga de processos judiciais movidos pelas principais editoras discográficas globais.
Proteção contra pirataria e rastreio de faixas
O presidente executivo e cofundador da Suno, Mikey Shulman, explicou que o objetivo passa por promover a criação original enquanto se capacitam mais utilizadores para criar música. Uma das principais fontes de tensão no setor envolvia utilizadores que carregavam faixas geradas por IA para serviços concorrentes com o intuito de manipular os algoritmos e obter rendimentos indevidos. Para travar esta prática, a Suno vai passar a utilizar sistemas de marca de água de áudio e impressão digital nas músicas geradas.
Embora não tenha sido confirmado se a empresa irá adotar soluções de terceiros, como o Synth ID da Google, a startup selou já uma parceria com a Musixmatch. O acordo prevê a utilização do sistema Sentinal para a deteção automática de infrações de direitos de autor. Em simultâneo, a empresa prepara uma política de descargas mais rigorosa para impedir a distribuição em massa nas redes de transmissão contínua.
Novas regras comunitárias e batalha nos tribunais
As diretrizes da comunidade da Suno foram igualmente atualizadas para proibir de forma explícita o uso de áudio enganoso apresentado como real, bem como a utilização não autorizada da voz ou imagem de pessoas reais. A startup, que angariou 400 milhões de dólares numa ronda de financiamento Séries D realizada em junho, encontra-se sob forte pressão jurídica. A empresa enfrenta acusações da Universal Music Group (UMG) e da Sony Music Group, num processo coordenado pela Recording Industry Association of America (RIAA).
Para além da disputa nos Estados Unidos, um tribunal na Alemanha deu recentemente razão à sociedade de direitos de autor GEMA, declarando que a Suno violou as leis de propriedade intelectual. Para complicar a situação da empresa, foi também revelado um incidente de segurança ocorrido em novembro de 2025 que expôs dados e revelou a extração não autorizada de conteúdos do YouTube, Deezer e Genius para o treino dos seus modelos. Esta fuga afetou cerca de 55 milhões de utilizadores e resultou num processo coletivo que acusa a tecnológica de negligenciar a segurança dos dados em prol do lucro.












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