
A partir de fevereiro de 2027, os telemóveis e tablets vendidos na União Europeia terão obrigatoriamente de permitir a troca da bateria pelos próprios utilizadores. A nova lei pretende alargar a vida útil dos equipamentos e mitigar o lixo eletrónico, facilitando ainda a reciclagem de materiais essenciais como o lítio e o cobalto. Contudo, uma cláusula introduzida nos regulamentos pode abrir caminho para que as principais marcas escapem a mudanças radicais no design dos seus modelos mais caros.
O fim do telemóvel completamente selado
Houve um tempo em que trocar a carga gasta de um telemóvel exigia apenas remover a capa traseira com a unha. Hoje, a preferência por designs finos e materiais premium, como o vidro e o alumínio, tornou as baterias num componente de acesso restrito. Os mecanismos de fixação habituais tornam os telefones mais espessos, enquanto a necessidade de garantir certificações contra água e pó levou ao fabrico de estruturas seladas.
Com a nova legislação em vigor, uma bateria passará a ser considerada amovível se o consumidor a puder retirar com ferramentas comuns no mercado, como chaves de fendas, sendo proibido o uso de adesivos que exijam calor ou solventes. Em 2026, o cenário é escasso em alternativas acessíveis, com o mercado a apoiar-se em exceções como o Fairphone 6, que recorre a cinco parafusos, ou o Samsung Galaxy XCover 7 Pro, com a sua carga de 4.350 mAh pronta a ser trocada rapidamente em ambientes difíceis.
A cláusula que beneficia os topos de gama
A regulamentação prevê uma isenção importante que poupa as fabricantes de grandes alterações estéticas nos seus modelos de eleição. As marcas podem fornecer as baterias de substituição apenas a reparadores profissionais, contornando a exigência de substituição fácil pelo utilizador, se o dispositivo respeitar critérios muito precisos de resistência. O componente tem de conservar pelo menos 83% da sua capacidade após 500 ciclos de carga, e um mínimo de 80% após 1.000 ciclos de carga, exigindo-se simultaneamente ao telemóvel uma certificação IP67 ou superior.
A Apple já sublinhou que, a partir da linha do iPhone 15, os seus componentes retêm 80% da capacidade original aos 1.000 ciclos de carga em condições ideais. O iPhone 17 vai mais longe e ostenta a classificação IP68, conseguindo sobreviver submerso a 19 pés de profundidade durante 30 minutos. Esta realidade coloca muitos topos de gama ao abrigo da isenção.
Porém, aliar baterias acessíveis e proteção contra os elementos não é impossível. O antigo Galaxy S5, lançado em 2014, apresentava chassis em plástico e tampa amovível sem comprometer a durabilidade. A própria Samsung revelou ao portal GSM Arena que aplicou vedantes em diferentes áreas do Galaxy XCover 7 Pro, adicionando juntas na tampa traseira alinhadas com as ranhuras dos cartões e da bateria. Devido aos custos de manter linhas de produção paralelas, a exigência europeia deverá padronizar a facilidade de reparação em todo o mundo, tal como aconteceu recentemente com a uniformização da porta USB-C.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!