
A explosão de centros de dados dedicados à inteligência artificial está a sobrecarregar a cadeia global de semicondutores e a provocar escassez no mercado. Para responder a este pico de procura, a SK Hynix anunciou um plano de investimento de até 54 biliões de won sul-coreanos, valor equivalente a 38,1 mil milhões de dólares, para erguer novas instalações fabris.
O plano estratégico contempla a construção de dois grandes polos industriais na Coreia do Sul: a fábrica "Y2", situada em Yongin, assumirá o papel de centro de produção de chips DRAM, enquanto a unidade de Cheongju focar-se-á na expansão da capacidade de memórias NAND. A construção de ambas as infraestruturas tem início agendado para 2027.
Foco na inteligência artificial encarece telemóveis e computadores
A transição da indústria para a inteligência artificial obrigou as principais fabricantes de semicondutores a alocar uma fatia substancial da sua linha de montagem para a produção de memória de elevada largura de banda (HBM). Esta tecnologia é indispensável para alimentar os servidores de grande escala que treinam os modelos de IA mais exigentes.
Contudo, esta prioridade tem tido consequências diretas para o mercado de consumo tradicional. As fabricantes de computadores e telemóveis enfrentam uma escassez severa de chips de memória RAM, o que se refletiu no aumento generalizado dos preços dos dispositivos eletrónicos ao longo do último ano, afetando diretamente os consumidores em Portugal.
Esta estratégia da fabricante sul-coreana junta-se a outras iniciativas de grande escala do setor, incluindo o plano conjunto anunciado anteriormente com a Samsung, no valor de 570 mil milhões de dólares, com vista a reforçar a capacidade global de produção de chips.
Pressão na oferta de memórias continua sem solução rápida
Apesar dos valores astronómicos investidos no aumento de capacidade fabril, os analistas e líderes da indústria alertam para o facto de a procura continuar a superar a oferta disponível. O presidente da ADATA declarou recentemente que o aumento de produção dos maiores fabricantes de DRAM não é suficiente para cobrir as necessidades do mercado nos próximos anos.
Com o arranque das novas fábricas marcado apenas para 2027, a escassez na cadeia de distribuição não fica resolvida no curto prazo. Para quem planeia adquirir novo equipamento informático ou trocar de telemóvel em Portugal, o cenário atual reflete a manutenção de custos elevados nos componentes de memória.












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