
O Presidente dos EUA reativou a sua ofensiva contra a mobilidade elétrica durante um comício em Las Vegas, no qual afirmou ter terminado com o "mandato elétrico" e classificou a preocupação dos condutores com a autonomia dos veículos como uma "doença". As declarações voltaram a levantar fortes críticas e a colocar em escrutínio as escolhas energéticas da atual administração em Washington.
O discurso assinala mais um capítulo do esfriamento das relações com o setor automóvel elétrico, um afastamento encabeçado pela perda de proximidade com Elon Musk, CEO da Tesla e antigo aliado do chefe de Estado norte-americano. Perante os apoiantes, o Presidente ridicularizou a experiência de condução de um modelo a bateria, afirmando que os utilizadores "começam a entrar em pânico quando a bateria ainda está a 3/4".
O mito do mandato elétrico federal
A preocupação retratada pelo Presidente é habitualmente designada no setor por ansiedade de autonomia. Embora tenha sido um obstáculo real na fase inicial da adoção de carros elétricos, o problema tem vindo a perder relevância com o aumento da capacidade das baterias, o desenvolvimento de sistemas de estimativa mais precisos e a expansão contínua da infraestrutura de carregadores rápidos.
Durante a intervenção, o governante reiterou a tese de que travou uma diretiva federal destinada a obrigar os cidadãos americanos a adquirir automóveis elétricos nas próximas décadas. Na realidade, contudo, não existe qualquer legislação nos EUA que imponha a compra forçada de veículos elétricos ao consumidor, seja até 2030 ou numa data posterior.
Vendas de elétricos estagnadas nos EUA
As regras contestadas no discurso referem-se a limites de emissões poluentes e diretrizes de veículos limpos introduzidas pelo estado da Califórnia para incentivar os fabricantes a produzir mais modelos de emissões zero. A administração federal revogou parte destas exigências estaduais logo no arranque do seu segundo mandato.
O Presidente citou também um dado factual ao referir que os automóveis elétricos correspondem a apenas 7% das vendas no mercado norte-americano. Contudo, apresentou este valor como evidência da rejeição do consumidor, omitindo o impacto direto da redução de incentivos fiscais e da flexibilização das normas ambientais promovida pelo seu executivo, num momento em que na Europa e no resto do mundo a transição para a mobilidade elétrica avança com firmeza.












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