
A explosão de valor no mercado de inteligência artificial (IA) e a expectativa de novos grandes eventos de liquidez no setor tecnológico levantam questões sobre o destino das fortunas recém-criadas. Segundo um artigo de opinião publicado na Fortune, a riqueza gerada por este mercado deve ser direcionada para fortalecer organizações sem fins lucrativos consolidadas, em vez de servir para financiar novas estruturas filantrópicas de raiz.
Max Simkoff, fundador e CEO da Doma Technology, e Lisa Countryman-Quiroz, CEO da JVS Bay Area, assinam o documento onde destacam a iminência de uma nova vaga de milionários. O IPO da SpaceX criou cerca de 4.400 novos milionários, um fenómeno financeiro que empresas ligadas ao desenvolvimento de modelos avançados, como a Anthropic e a OpenAI, poderão replicar num futuro próximo. Os autores questionam de forma direta qual será a proporção desta riqueza a chegar efetivamente às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
A falsa premissa sobre a capacidade do terceiro setor
Uma fação da indústria tecnológica assume erradamente que as organizações sem fins lucrativos não possuem a velocidade, o talento ou a capacidade administrativa necessária para gerir investimentos de grande escala. Esta perspetiva ignora a experiência acumulada por um ecossistema composto por cerca de 1,8 milhões de entidades apenas nos Estados Unidos, responsáveis por distribuir perto de 600 mil milhões de dólares anualmente. "Não precisamos de uma infraestrutura completamente nova para aproveitar ao máximo os novos recursos da IA", sublinham os executivos no artigo.
O histórico recente demonstra de forma clara que estas organizações conseguem absorver e aplicar enormes injeções de capital com eficácia. As doações superiores a 26 mil milhões de dólares efetuadas pela filantropa MacKenzie Scott desde 2019 servem de prova prática. Um estudo do Center for Effective Philanthropy sobre os efeitos destes apoios indicou que 90% das instituições beneficiadas reportaram melhorias na sua situação financeira, expansão dos respetivos programas, redução do esgotamento das equipas e um aumento na capacidade de inovação.
Adaptação ao impacto da inteligência artificial
O efeito da automação no mercado de trabalho está já a forçar a transformação das entidades dedicadas ao desenvolvimento profissional. A JVS Bay Area, liderada por Countryman-Quiroz, reformulou recentemente os seus cursos tecnológicos para dar resposta a esta realidade. A instituição ampliou a oferta de formação em áreas menos suscetíveis à substituição mecânica, como a saúde e várias profissões técnicas, integrando simultaneamente o ensino de competências ligadas ao uso de IA.
A capacidade de adaptação e a infraestrutura já montada tornam a criação de novos modelos filantrópicos uma redundância pouco produtiva para a nova geração de bilionários. "O setor sem fins lucrativos passou décadas a provar o que é possível fazer com uma fração dos recursos necessários. Imagine o quanto mais podem realizar com os novos recursos da IA à sua disposição", concluem Simkoff e Countryman-Quiroz.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!