
A plataforma portuguesa Aptoide Games conquistou luz verde para ser distribuída diretamente na loja oficial da Google nos Estados Unidos. A informação, avançada em comunicado pela tecnológica nacional, materializa-se através do novo programa Play Catalog Access, pondo fim a mais de uma década de restrições contra o alojamento de lojas concorrentes na infraestrutura móvel norte-americana.
Esta alteração devolve aos milhões de utilizadores do Android a capacidade de instalarem um marketplace independente focado em videojogos sem recorrer a processos complexos de configuração e avisos de segurança dissuasores. Com presença no mercado desde 2009, a empresa sediada em Lisboa acumula cerca de 25 milhões de utilizadores ativos mensais e fornece acesso a mais de 400.000 aplicações. O território norte-americano representa atualmente a sua maior fatia de mercado, conferindo a este regresso um peso estratégico e financeiro considerável para as operações.
A quebra de um monopólio histórico
A reintegração acontece num cenário de intensa pressão regulatória e reflete o rescaldo do processo judicial de referência que opôs a Epic Games à dona do motor de pesquisa. O recente programa Play Catalog Access permite que lojas de terceiros utilizem a base do sistema móvel, integrando-se na infraestrutura enquanto mantêm a sua independência comercial.
As palavras de Paulo Trezentos, CEO e cofundador da Aptoide, sublinham a dimensão do momento para a indústria móvel. "Há mais de dez anos, os utilizadores Android perderam a possibilidade de descobrir app stores alternativas através da Google Play. Hoje, isso muda", afirmou o responsável, acrescentando que "os utilizadores passam a ter mais escolha, os developers ganham novas oportunidades de distribuição e o Android torna-se um ecossistema mais aberto e competitivo."
Segurança e expansão além-fronteiras
Para combater as objeções de segurança frequentemente associadas a lojas externas, a infraestrutura portuguesa tem vindo a reforçar as suas defesas. Álvaro Pinto, Chief Operating Officer da empresa, destaca que os últimos quinze anos serviram para desenvolver tecnologias avançadas de validação de aplicações, verificação de programadores e deteção de malware com recurso a sistemas de machine learning. O executivo defende que "a concorrência promove a inovação" e que reduzir a fricção na instalação de plataformas independentes beneficia todos os intervenientes.
O impulso legislativo em prol da abertura de plataformas não se limita ao mercado norte-americano. Ao abrigo da Lei dos Mercados Digitais (Digital Markets Act) da União Europeia, a empresa já opera o seu marketplace no iOS em solo europeu, assumindo-se como um dos poucos operadores independentes aprovados pela Apple. A validação estende-se a outros continentes, com a plataforma selecionada para integrar programas análogos de abertura de concorrência no Japão e no Brasil.












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