
Os tribunais de Inglaterra e do País de Gales juntaram-se a uma lista crescente de locais que proibiram a entrada com os óculos inteligentes da tecnológica norte-americana. Segundo avançou o The Guardian, o Serviço de Tribunais e Tribunais de Sua Majestade (HMCTS) determinou que qualquer visitante com este dispositivo verá o equipamento confiscado à entrada, sendo devolvido apenas à saída do edifício.
A medida surge perante as regras estritas contra a captação de imagens e vídeos no interior das instalações, uma prática que constitui desacato em tribunal. A restrição não se aplica aos telemóveis, que podem entrar nos edifícios sob a condição de não serem utilizados para gravar os procedimentos judiciais, refletindo a dificuldade das autoridades em policiar tecnologia de gravação que se confunde com acessórios de moda.
Precedentes em Nova Iorque e receios de privacidade
O bloqueio nos tribunais britânicos não é um caso isolado. No mês passado, o Sistema Unificado de Tribunais de Nova Iorque implementou uma proibição idêntica, exigindo que os óculos inteligentes fiquem à guarda de pessoal fardado. Fora do setor judicial, várias empresas no Reino Unido — incluindo teatros, restaurantes e a cadeia de pubs Wetherspoons — baniram o equipamento devido a preocupações com a privacidade. O receio de captação de imagens sem consentimento, especialmente de mulheres, levou a que o dispositivo ganhasse a alcunha de "óculos para pervertidos".
Mesmo perante as críticas, o sucesso comercial do produto é inegável. A Meta vendeu 7 milhões de pares no ano passado, com preços que variam agora entre 314,81 € e 548,87 € após a conversão obrigatória para o mercado europeu.
Incidentes judiciais forçam ação imediata
O escrutínio sobre os óculos tem raízes em incidentes recentes. No início deste ano, no Supremo Tribunal britânico, a juíza Raquel Agnello KC exigiu que o arguido Laimonas Jakštys retirasse o seu equipamento durante um caso sobre a direção de uma empresa imobiliária. A magistrada acusou-o de ter sido "assistido ou treinado nas suas respostas às questões que lhe foram colocadas durante o interrogatório". Jakštys negou usar os óculos para receber respostas ou que estes estivessem ligados ao telemóvel.
Do outro lado do Atlântico, em fevereiro, a equipa de segurança do diretor-executivo Mark Zuckerberg foi vista a usar o dispositivo durante um mediático julgamento na Califórnia sobre a dependência em redes sociais. A juíza Carolyn B Kuhl interveio, ameaçando os seguranças com a acusação de desacato se tivessem registado qualquer parte da sessão.
Questionada sobre a decisão das instâncias judiciais britânicas, a empresa recusou comentar o assunto. Um porta-voz limitou-se a reiterar que os óculos exibem uma luz intermitente visível sempre que estão a gravar, sustentando que a marca implementa tecnologia de deteção de adulteração atualizada frequentemente para impedir que os utilizadores tapem esse indicador luminoso.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!