
A fabricante chinesa Chuwi está novamente no centro de uma polémica relacionada com especificações técnicas. O seu mais recente portátil de 14 polegadas, o UniBook, tem sido publicitado com uma cobertura de 100% do espaço de cor sRGB. No entanto, segundo a análise detalhada do Notebookcheck, a realidade do painel IPS fica muito aquém do prometido, levantando sérias suspeitas de publicidade enganosa para com os consumidores.
O equipamento foi lançado por 449 dólares — cerca de 411,40 €, valor ao qual acresceriam impostos no mercado português. Pelas especificações oficiais, a marca anuncia uma resolução de 1.920 x 1.200 píxeis, taxa de atualização de 60 Hz e um brilho máximo de 300 nits. O grande atrativo para o segmento seria o ecrã com 100% sRGB, uma característica crucial para quem trabalha com imagem. Contudo, avaliações de três publicações independentes traçaram um cenário consistente e dececionante.
Diferenças drásticas nos painéis
Os dados demonstram que a discrepância reflete as características estruturais do painel NV140WUM-N45 utilizado na montagem, descartando a hipótese de ser um defeito isolado. A avaliação do Notebookcheck, feita com equipamento profissional X-Rite i1Pro 3 e o software CalMAN, registou apenas 58,9% de cobertura sRGB, acompanhada de 41,3% em AdobeRGB e 40% em Display P3. O brilho médio situou-se nos 286,8 nits, com picos de 307 nits e um contraste de 1.070:1.
Outros meios confirmaram as medições. O TechRadar atingiu 63% de sRGB, 43% de AdobeRGB e 34% de Rec.2020. Por sua vez, o The Verge registou 64% de sRGB e atribuiu uma classificação de "D" ao ecrã, criticando ainda os 8 GB de memória RAM soldados, o desempenho limitado do processador Intel Core 3 304 Wildcat Lake, bem como a fraca qualidade da webcam, altifalantes e touchpad. Em termos práticos, um ecrã a rondar os 60% sRGB exibe cores notoriamente mais apagadas e baças, prejudicando a experiência de consumo de multimédia.
Histórico da marca agrava a falta de confiança
Após ser confrontada com os resultados da análise, a fabricante modificou o seu material promocional e removeu a referência aos 100% sRGB em várias plataformas, incluindo a página de especificações em Espanha.
Esta situação assume contornos mais graves devido aos antecedentes recentes da empresa. No início de 2026, os modelos CoreBook X e CoreBook Plus foram vendidos com a promessa de integrarem processadores Ryzen 5 7430U da AMD, mas escondiam a versão Ryzen 5 5500U, com firmware alterado a nível de sistema para camuflar a fraude. Na altura, a Chuwi ofereceu reembolsos e justificou o caso com um erro de produção, alegação que a fabricante de chips norte-americana desmentiu categoricamente.
A recorrência de discrepâncias desta magnitude sugere uma estratégia para vender hardware de gama inferior a preços mais baixos, prejudicando a concorrência através de dumping e destruindo a confiança dos consumidores nas especificações oficiais da marca.












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