
A multinacional de energia Shell confirmou estar a investigar um potencial incidente de cibersegurança após o grupo de ransomware Clop ter anunciado o roubo de 89 GB de dados das suas redes. A confirmação foi avançada ao BleepingComputer por um porta-voz da petrolífera britânica.
"Estamos cientes de um potencial incidente. Estamos a trabalhar com as nossas equipas de segurança e especialistas relevantes para investigar", afirmou o representante da empresa à referida publicação. A Shell é uma das três maiores petrolíferas do mundo, a seguir à Chevron e à ExxonMobil, contando com 85.000 colaboradores em mais de 70 países e operando uma rede de dezenas de milhares de estações de serviço e carregamento que servem mais de 20 milhões de clientes diariamente.
Impacto do ataque e ficheiros comprometidos
Segundo a publicação efetuada pelos cibercriminosos no seu site de fugas na dark web, os ficheiros roubados incluem desenhos de engenharia, digitalizações de relatórios de testes de instalações, fotografias de infraestruturas e planos de projetos.
A petrolífera surge na lista do grupo juntamente com 43 novas vítimas visadas em ataques contra os sistemas PTC Windchill e FlexPLM. O grupo Clop afirma também ter extraído dados confidenciais, incluindo cópias de segurança, ficheiros de sistema, esquemas e diagramas das redes das gigantes tecnológicas General Electric e Philips.
Vulnerabilidade crítica na plataforma PTC na origem dos acessos
Os ataques exploraram a vulnerabilidade crítica CVE-2026-12569, associada à validação incorreta de dados nas plataformas de gestão de ciclo de vida de produto PTC Windchill e FlexPLM. A fabricante PTC começou a disponibilizar correções de segurança a 17 de junho, tendo emitido um aviso privado a 26 de junho após alertar para o aumento na atividade de ameaças.
O problema motivou a intervenção da Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestruturas dos EUA (CISA), que adicionou a falha ao seu catálogo de vulnerabilidades exploradas e ordenou a mitigação em três dias nas agências federais. O Departamento Federal de Segurança da Informação da Alemanha (BSI) emitiu igualmente um aviso de emergência a recomendar a aplicação imediata das correções.
A vaga de ataques foi confirmada pela organização sem fins lucrativos Ransom-ISAC e pela empresa de cibersegurança ReliaQuest. Os especialistas explicaram que os atacantes estão a implementar webshells em JSP para extrair dados confidenciais, recomendando a colocação das plataformas atrás de redes privadas virtuais (VPN) e o isolamento dos servidores afetados. As ferramentas PTC são utilizadas por mais de 30.000 clientes mundiais, dos quais mais de 1.500 usam o software FlexPLM.












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