
Os filhos de Robin Williams vão assumir o controlo da conta oficial do ator no Instagram, que se encontrava inativa desde a sua morte em 2014. Segundo avançou o The Wrap, Zak, Zelda e Cody Williams procuram garantir que o perfil do pai seja um ambiente protegido e pretendem travar a crescente utilização abusiva da sua imagem gerada por inteligência artificial.
Numa declaração conjunta partilhada esta terça-feira, a família explicou que a intenção passa por transformar o espaço num "lugar seguro e de confiança, onde as histórias, fotografias, vídeos e memórias partilhadas reflitam o seu legado com autenticidade, calor e cuidado".
A preservação do legado contra a desinformação
A iniciativa surge como resposta direta à proliferação de clonagem digital. Através de uma publicação temporária na sua conta no Instagram, Zelda Williams detalhou os motivos da reativação do perfil, reconhecendo que a situação pode causar algum choque aos seguidores do falecido ator.
"Peço desculpa se alguém achou que voltar a ver a página do pai a publicar foi perturbador. Acreditem, eu sei que é um pouco estranho", confessou a filha do comediante. "Tornar aquele espaço num local onde as pessoas podem encontrar clipes e fotos autênticas dele é uma das melhores formas que encontrámos agora para contra-atacar o abuso desenfreado da sua voz e semelhança por IA por aqui".
Já no ano passado, Zelda tinha apelado aos fãs para deixarem de lhe enviar imitações artificiais do pai. Na altura, classificou a prática como enlouquecedora, lamentando ver o trabalho e a história de pessoas reais serem condensados a imitações vagas para que terceiros possam gerar "lixo horrível do TikTok", usando as identidades alheias como marionetas.
Falhas nos filtros de segurança das plataformas
A luta da família Williams evidencia as dificuldades práticas em conter a falsificação digital na internet. Apesar de algumas empresas aplicarem restrições nos seus modelos de linguagem para impedir a geração visual de figuras públicas, as barreiras de proteção continuam a ser contornadas. O modelo Grok, por exemplo, mantém-se debaixo de fogo por gerar imagens sexuais falsificadas de mulheres célebres, enquanto a aplicação Sora serviu de base para múltiplos vídeos com personagens protegidas por direitos de autor.
Paralelamente, a fabricante ByteDance teve de estabelecer um acordo com a Motion Picture Association devido a sistemas de segurança permissivos, e o roubo de identidade digital já foi explorado por atores maliciosos para promover fraudes com o rosto de cantoras como Taylor Swift e Rihanna. Perante este cenário de imitações sintéticas, os três irmãos sublinharam que vão concentrar-se em usar a rede social do ator para partilhar o seu "talento e humor únicos" com o mundo de forma genuína.












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