
O gigante tecnológico Meta deu início ao julgamento num tribunal federal em Oakland, nos Estados Unidos, enfrentando acusações de desenvolver deliberadamente plataformas que provocam dependência em crianças e adolescentes. Conforme reportado pela BBC, a ação judicial interposta por dezenas de estados norte-americanos sustenta que a empresa causou danos à saúde mental dos jovens e violou leis de privacidade infantil.
A ação judicial tem uma previsão de duração de seis semanas e pode resultar numa multa superior a 1 bilião de dólares (cerca de 910 mil milhões de euros). O processo coloca a dona do Facebook no centro de um debate legal sobre o impacto das plataformas digitais na sociedade. Rumores indicam que o presidente executivo da empresa, Mark Zuckerberg, prestará testemunho perante a juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, com quase 20 anos de carreira, a par de Adam Mosseri, responsável pelo Instagram.
Alterações profundas exigidas às redes sociais
Os procuradores-gerais de estados como Califórnia, Nova Jérsia, Colorado e Kentucky pedem à justiça que obrigue a empresa a realizar modificações estruturais nas suas plataformas. Entre as medidas solicitadas para reduzir a dependência em redes sociais destaca-se o fim do scroll infinito e a remoção da reprodução automática de conteúdos em vídeo.
A lista de exigências inclui reajustes nos algoritmos de recomendação concebidos para estimular a libertação de dopamina, a exclusão de filtros de imagem que alteram a aparência estética e o fim das publicações temporárias que desaparecem após um período determinado. Os autores da ação requerem também a implementação de um processo de verificação parental para utilizadores adolescentes e o bloqueio da criação de múltiplas contas pela mesma pessoa.
Um precedente para a indústria tecnológica
A possibilidade de condenação surge após o estado do Novo México ter aplicado à empresa uma multa de 942 milhões de dólares (aproximadamente 860 milhões de euros), acompanhada de exigências de ajustes semelhantes. Kate Winick, analista da consultoria Forrester, antevê que o resultado do caso possa ter um impacto comparável aos processos instaurados contra a indústria do tabaco na década de 1990.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a empresa é apenas a primeira de várias tecnológicas a responder em tribunal. Plataformas como o YouTube e o Snap enfrentam atualmente processos judiciais pendentes com fundamentação idêntica.







Nenhum comentário
Seja o primeiro!