
A expansão acelerada da IA está a deparar-se com um obstáculo que não pode ser resolvido com a simples compra de mais processadores gráficos. O problema atual é puramente financeiro. Segundo avança a Bloomberg, várias entidades bancárias estão a atingir a sua capacidade máxima de financiamento para a construção de infraestruturas tecnológicas, levantando preocupações sobre a sustentabilidade desta dívida corporativa.
O peso dos empréstimos no mercado asiático
A situação é particularmente visível na região da Ásia-Pacífico, onde o banco Barclays alerta para uma exposição excessiva do setor financeiro aos centros de dados. Desde o início de 2025, os empréstimos destinados a este fim roçam os 29.000 milhões de dólares na Ásia. Apenas durante 2026, foram concedidos 15.000 milhões de dólares, um valor que estabelece um novo recorde e representa um crescimento de 27% face ao período homólogo do ano anterior.
Andrew Ashman, responsável de sindicação de empréstimos do Barclays para a região, nota que os bancos vão começar a ser mais seletivos, privilegiando clientes conhecidos e projetos que garantam maior rentabilidade. Um exemplo da magnitude destas operações é a DayOne Data Centers, que se encontra a negociar a expansão de um financiamento existente para atingir os 7.000 milhões de dólares. Se for concretizado, será o maior empréstimo do género alguma vez registado no mercado asiático.
Para gerir o risco, algumas entidades já procuram libertar espaço nos seus balanços financeiros. O Crédit Agricole CIB tentou vender parte de um empréstimo ligado a uma infraestrutura em Hong Kong, enquanto a Morgan Stanley avaliou transferências de risco para equilibrar a sua exposição no setor.
Estados Unidos procuram alternativas e fundos privados
O cenário repete-se nos Estados Unidos, embora o mercado financeiro local ofereça mais alternativas. As emissões de dívida apoiadas em centros de dados e infraestruturas de fibra atingiram cerca de 23.000 milhões de dólares, o que traduz um salto de 86% num ano. A Legal & General Asset Management estima que as emissões norte-americanas de títulos garantidos por ativos vinculadas a este mercado ultrapassaram os 25.000 milhões de dólares em 2025, superando a soma dos três anos anteriores.
A pressão financeira não deverá abrandar a curto prazo. O Barclays calcula que as grandes empresas tecnológicas emitam perto de 285.000 milhões de dólares em dívida durante 2026. A Morgan Stanley prevê que os fundos de crédito privado possam vir a assegurar mais de metade dos 1,5 biliões de dólares necessários para escalar a infraestrutura global até 2028.
Com o mercado bancário tradicional incapaz de absorver toda a liquidez exigida, surgem novas abordagens no mercado. A NVIDIA, por exemplo, já atua como uma entidade de financiamento intermédia para facilitar a venda do seu hardware. Richard Satchwell, do Barclays, sublinha que o capital terá de fluir cada vez mais através de fundos privados, seguradoras e emissão de obrigações para sustentar a evolução tecnológica mundial.












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