
A ambição corporativa na adoção de inteligência artificial continua a superar a real preparação estrutural das organizações. De acordo com o estudo global "Voice of Our Clients", publicado pela CGI, embora a implementação de ferramentas generativas tenha registado um aumento drástico, os sistemas obsoletos e a escassez de profissionais qualificados estão a limitar o impacto da tecnologia no negócio. O relatório teve por base entrevistas a mais de 1.800 executivos das áreas tecnológica e de negócio.
O fosso entre a adoção e a estratégia
Nos últimos dois anos, a integração de IA generativa cresceu 30 pontos percentuais no tecido empresarial. Atualmente, 62% das organizações aplicam a tecnologia aos seus processos operacionais. No entanto, o estudo evidencia que a maturidade estrutural não acompanhou esta rápida expansão. Apenas 40% das entidades possuem uma estratégia empresarial definida para a IA, e uma minoria de 20% estende esse plano ao seu ecossistema mais alargado. Como consequência direta, apenas 51% dos inquiridos conseguem quantificar os resultados da sua implementação.
Barreiras na execução e infraestrutura
A pressão para criar organizações adaptáveis e resilientes é evidente, com 70% dos executivos a apontar a aceleração tecnológica como a macrotendência de maior impacto no mercado atual. Contudo, a execução encontra obstáculos severos. Cerca de 45% dos líderes afirmam que os sistemas legados representam um desafio significativo para as suas estratégias de dados.
A infraestrutura é acompanhada pelo desafio humano: quase 70% dos inquiridos relatam dificuldades no recrutamento de profissionais de TI. Para 52% dos executivos, esta escassez de talento tem um impacto direto e profundo na capacidade de executar programas vitais. Em paralelo, 52% das lideranças dão prioridade a estratégias locais de cloud e à soberania dos dados, embora só 25% classifiquem os seus modelos operacionais como altamente ágeis. Perante a limitação de recursos e a pressão dos custos, nota-se uma procura crescente por modelos de serviços geridos para assegurar a execução de projetos escaláveis.
Novo centro de excelência em Portugal
A nível nacional, o investimento acompanha as prioridades europeias de inovação. Carlos Lourenço, Senior Vice-President da CGI em Portugal, destaca que transformar este capital em resultados concretos exige a modernização imperativa de plataformas e fundações de dados, garantindo um alinhamento rigoroso com a criação de valor a longo prazo.
Para apoiar esta transição tecnológica global e assinalar os seus 50 anos de atividade, a consultora anunciou o lançamento de um novo Centro de Excelência em inteligência artificial em Portugal. A estrutura visa acelerar a adoção responsável da tecnologia, combinando o conhecimento especializado local com a experiência internacional da empresa para ajudar os clientes a ultrapassar os bloqueios impostos pelas infraestruturas desatualizadas.












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