
Atrás da maioria das televisões modernas encontram-se portas frequentemente ignoradas face ao domínio das ligações HDMI. Presentes desde o início dos anos 2000 e hoje praticamente universais, estas entradas USB (sejam no formato clássico USB-A ou no mais recente USB-C) oferecem uma versatilidade que vai muito além das intervenções técnicas, de acordo com informações do setor, embora existam limites claros sobre o que o sistema consegue suportar.
Alimentação direta e reprodução de conteúdos
Uma das funções mais práticas destas portas é o fornecimento de energia a dispositivos externos de baixo consumo. O recente Amazon Fire TV Stick HD, por exemplo, é eficiente ao ponto de ser alimentado por uma porta USB 2.0 básica da televisão, dispensando o uso de um transformador de tomada dedicado.
Quando a ligação à internet falha, a porta USB transforma a televisão num centro multimédia local. A maioria das televisões inteligentes modernas suporta memórias flash com capacidades de 2 TB ou superiores. Para garantir o funcionamento, a unidade de armazenamento deve estar formatada em FAT32 ou exFAT/NTFS. A compatibilidade de ficheiros também exige formatos comuns: MP4, AVI ou MKV para vídeo, e MP3, WAV ou AAC para reprodução de música sem necessidade de plataformas de streaming.
Iluminação sincronizada e controlo por voz
O ecossistema de iluminação para televisores cresceu em torno destas ligações. É possível instalar fitas de luz LED alimentadas por USB que ligam e desligam em simultâneo com o ecrã. Modelos mais avançados recorrem a algoritmos para sincronizar a cor e a intensidade da luz com a imagem transmitida, aumentando a imersão em filmes de ação.
A ligação de um microfone USB comum abre outra vertente de utilização. Além de facilitar o uso de aplicações de karaoke e melhorar a qualidade de áudio em videochamadas, permite aceder a assistentes de voz como a Alexa, Google Assistant ou Bixby em televisores cujo comando original não possua microfone integrado.
O risco da moldura digital e o carregamento lento
A reprodução contínua de fotografias (em formatos JPEG ou PNG) permite usar o ecrã como uma moldura digital gigante. No entanto, televisores convencionais consomem muita energia neste modo, e os painéis OLED ficam particularmente expostos ao risco de retenção permanente de imagem (burn-in). Equipamentos como a linha Frame da Samsung são construídos especificamente para este fim; num televisor normal, a funcionalidade deve ser usada com rotação frequente de imagens e desligada quando a divisão estiver vazia.
O uso da televisão como carregador exige paciência. As portas USB 2.0 padrão fornecem apenas 5 V a 500 mA. Na prática, carregar um telemóvel recente pode demorar cerca de sete horas, enquanto a bateria de um portátil exigiria cerca de 20 horas. O cenário melhora ligeiramente em modelos com ligações USB 3.0, mas a sua vocação principal mantém-se no carregamento de pequenos acessórios móveis.
A regra de ouro da incompatibilidade prende-se com os controladores de software. Impressoras, scanners e unidades de discos óticos não funcionam quando ligados à televisão, uma vez que o sistema operativo do ecrã não possui os drivers necessários para os reconhecer e operar.







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