
O uso de equipamentos de streaming não oficiais e aplicações de canais gratuitos está a transformar as redes domésticas em portas de entrada para atividades criminosas. As conclusões são detalhadas em investigações publicadas pela Malwarebytes e pela Plume Design, que revelam como aparelhos da marca SuperBox desviam o tráfego de internet sem o conhecimento dos proprietários. A situação gerou também um alerta oficial do FBI sobre a proliferação destas redes de proxy residenciais.
Ao ligarem as caixas de televisão à rede Wi-Fi local, os utilizadores entregam o seu endereço IP a redes de servidores intermediários que são comercializadas no mercado paralelo. Esta tática permite que piratas informáticos contornem sistemas de segurança corporativos e testem palavras-passe comprometidas. O perigo recai inteiramente sobre o utilizador final, uma vez que os registos de invasão apontam a origem do ataque para a residência do consumidor inocente.
Segundo Chris Griffiths, diretor de tecnologia da Plume, estes dispositivos chegam ao mercado com o acesso remoto e o controlo administrativo totalmente abertos. O equipamento não exige qualquer palavra-passe, autenticação ou aprovação por parte do comprador. O especialista avisa que o mesmo software tem sido detetado noutros reprodutores multimédia, evidenciando uma falha ampla na cadeia de fornecimento deste ecossistema.
Ligações ocultas escapam aos firewalls
Pieter Arntz, investigador da Malwarebytes, explica que o problema abrange também as lojas de aplicações integradas nestes aparelhos. Ferramentas populares na SuperBox, como o CyberFlix TV e o AppLinked, executam módulos escondidos, nomeadamente o Popanet e o Netway. Estes componentes estabelecem canais diretos com servidores externos a partir do interior da casa, uma mecânica que anula a proteção convencional garantida pelos firewalls domésticos. A Malwarebytes procurou obter esclarecimentos da fabricante SuperBox, mas não obteve qualquer resposta.
Alvos incluem gigantes da tecnologia
A investigação da Plume demonstrou que as redes residenciais usurpadas serviram para mascarar acessos automatizados a infraestruturas de grandes empresas, como a Google, a OpenAI e a Microsoft. Durante o processo de monitorização, os analistas documentaram 1.352 tentativas de ataques e a injeção de ameaças como o Mirai e o CECbot, que se destinam a derrubar serviços digitais.
Face ao aumento de fraudes bancárias e roubos de identidade facilitados por este esquema, a recomendação das autoridades de segurança é categórica. Os utilizadores devem desligar imediatamente os aparelhos da tomada elétrica e da rede. A reposição para os valores de fábrica não resolve a vulnerabilidade, uma vez que o código malicioso está embutido de forma permanente na memória principal do produto.







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