
Vários ramos das Forças Armadas dos EUA desativaram os identificadores de publicidade e mecanismos de geolocalização em computadores e telemóveis utilizados pelos seus elementos em serviço. A medida surge após pressões do Congresso norte-americano, que alertou para a venda comercial de dados de localização por intermediários de informação que poderiam ser aproveitados por adversários para monitorizar militares em zonas de conflito, segundo documentos divulgados pelo Senado dos EUA.
A revelação inicial ocorreu em maio, quando o senador Ron Wyden e outros 13 parlamentares expuseram que tropas norte-americanas no Médio Oriente estavam a ser visadas através da recolha de dados comerciais. Na altura, o Pentágono admitiu que o pessoal militar tinha permissão para utilizar dispositivos pessoais em zonas operacionais e que não existia qualquer diretiva oficial para desativar a geolocalização nesses cenários.
Bloqueio dos identificadores de publicidade
Em resposta às preocupações levantadas, a Força Aérea e o Exército confirmaram ter desativado os identificadores publicitários em computadores e telemóveis. Por sua vez, o Comando de Operações Especiais dos EUA implementou o bloqueio em sistemas Windows, enquanto a Marinha restringiu a capacidade de entidades estrangeiras adquirirem grandes volumes de dados de localização e metadados.
Os parlamentares elogiaram estas ações como boas práticas de cibersegurança e espionagem, mas frisaram os perigos da comercialização destes registos. Em declarações oficiais, o congressista Harrigan sublinhou o impacto direto na segurança operacional: "É insensato que os nossos inimigos possam usar um cartão de crédito para comprar dados que ajudem a rastrear as tropas americanas numa zona de guerra."
Pedido de inquérito e vulnerabilidades em dispositivos pessoais
A vulnerabilidade dos militares no terreno tem sido alvo de atenção reforçada. Em julho de 2026, relatórios divulgados pela Reuters indicaram que algumas tropas no Médio Oriente poderiam receber ordens para entregar os telemóveis, uma vez que a publicação de vídeos em redes sociais estava a auxiliar o Irão no mapeamento de bases militares.
Apesar das medidas de proteção já adotadas pelos ramos militares, Wyden e Harrigan solicitaram uma investigação formal ao Departamento de Defesa dos EUA para determinar se foram tomadas todas as providências possíveis. Os parlamentares alertam que o simples bloqueio do identificador publicitário pode ser insuficiente, já que as empresas corretoras de dados conseguem cruzar outras informações recolhidas pelos equipamentos.
Além disso, subsiste a preocupação de que dados comerciais continuem a ter origem em dispositivos pessoais levados por militares e prestadores de serviços para instalações de acesso restrito. Nesse sentido, os congressistas defendem o reforço dos controlos técnicos e alterações políticas concretas para proteger o pessoal do Pentágono contra ações de vigilância comercial em áreas sensíveis.







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