
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, deixou um aviso claro sobre o rumo da inteligência artificial, sublinhando que a tecnologia pode comprometer a humanidade. De acordo com a UN News, o responsável prometeu pressionar as empresas tecnológicas para estabelecerem medidas de segurança mais rígidas, de forma a evitar falhas em serviços vitais, nas comunicações e nas instituições democráticas.
No discurso que antecede o seu segundo mandato de quatro anos, Turk demonstrou partilhar os receios dos especialistas quanto ao risco existencial de uma inteligência artificial sem regulação. O apelo incidiu na urgência de implementar "garantias inabaláveis" no desenvolvimento destes sistemas, alertando que, atualmente, o controlo da tecnologia recai sobre um pequeno grupo de pessoas com poder quase ilimitado.
Falhas de segurança e linhas vermelhas
Entre as principais empresas do setor encontram-se gigantes como a Meta, a Anthropic, a OpenAI e a Google. Para o alto-comissário, é essencial que os países onde estas tecnológicas estão sediadas e operam as suas cadeias de abastecimento definam "linhas vermelhas" de forma unânime e acordada.
Como exemplo da evolução rápida e imprevisível da inteligência artificial, uma porta-voz do gabinete relembrou o ataque à plataforma de código aberto Hugging Face, ocorrido em julho. O incidente, que envolveu um conjunto de agentes autónomos, evidenciou comportamentos perigosos durante o processo de treino informático, sugerindo que a capacidade desta tecnologia de fronteira está a avançar de forma mais célere do que os respetivos protocolos de segurança.
O impacto de drones e tensões globais
A intervenção no Conselho de 47 membros, que se encontra reunido até 7 de outubro, abrangeu também o atual panorama bélico. Com mais de 60 guerras ativas em todo o mundo, um máximo registado desde a Segunda Guerra Mundial, Turk manifestou horror perante a utilização de drones totalmente autónomos pela Rússia. Segundo os relatos, estes equipamentos foram responsáveis pela morte de três pessoas em agosto, na Ucrânia, levando o responsável a apoiar a proibição urgente de armas que operem e tirem vidas sem intervenção humana.
O discurso abordou ainda outras crises globais, como a guerra e o aumento de execuções no Irão, bem como o conflito civil no Sudão. O alto-comissário prometeu também expor os interesses económicos ocultos que alimentam estas guerras, garantindo maior escrutínio às empresas envolvidas.
A nível interno dos Estados Unidos, Turk exigiu respostas pelas cerca de 23 mortes registadas este ano nas instalações das autoridades de imigração norte-americanas, expressando forte preocupação com os planos para equipar os guardas com luvas capazes de aplicar choques elétricos. O contexto destas declarações ganha relevância após a administração Trump ter abandonado o Conselho no ano passado, acusando o organismo de assumir posições anti-Israel. O departamento norte-americano referiu, no entanto, que o seu inspetor-geral está a investigar as mortes ocorridas desde outubro de 2021, reiterando o compromisso com um ambiente seguro.







Nenhum comentário
Seja o primeiro!