
O novo Marvel's Wolverine, desenvolvido pela Insomniac, apresenta-se como um título de ação linear e intenso, exclusivo para a PS5. Ao contrário da estrutura utilizada na série Spider-Man, a produtora optou por uma abordagem focada no combate visceral e afasta-se dos habituais mundos abertos. A experiência mistura inspirações de grandes clássicos da plataforma, combinando a brutalidade de God of War com as sequências espetaculares e cinematográficas ao estilo de Uncharted.
Combate rápido e agressividade recompensada
A mecânica central da aventura recai sobre a capacidade de combate do protagonista. As suas habilidades mutantes, como a regeneração de saúde e as garras afiadas, obrigam o jogador a adotar uma postura agressiva e constante. O sistema de fúria ganha especial destaque: à medida que Logan se envolve em confrontos, o seu nível de raiva aumenta. Este mecanismo permite desencadear ataques letais num único golpe contra vários inimigos ou utilizar o poder de cura como uma segunda oportunidade em batalhas mais exigentes. O jogo não convida a uma postura defensiva; a sobrevivência exige um ataque implacável.
Além dos combates de grande proximidade que deixam o protagonista banhado em sangue, a obra da Insomniac aposta forte em momentos de grande espetáculo. As sequências de ação transportam o jogador para cenários dignos de Hollywood, que incluem desde trepar a fuselagem de um avião em queda até perseguições de mota a alta velocidade pelas ruas molhadas de Tóquio.
A jornada de ação leva os jogadores a percorrer várias partes do globo, começando com uma investigação a desaparecimentos de mutantes ligados a um traficante de armas bilionário. Ao longo da narrativa, o protagonista atua como um membro frequentemente relutante da Team X, um grupo mercenário com métodos muito mais violentos que os pacíficos X-Men. Em vez de heróis como Cyclops ou Professor X, Logan é acompanhado por personagens ligadas ao mundo dos vilões, como Sabretooth, Mystique e Nathaniel Essex, antes de se cruzar com Jean Grey.
Uma estrutura mais linear com lacunas na exploração
A aposta numa progressão mais fechada traz algumas limitações. A exploração fora do caminho principal revela-se pouco recompensadora, existindo colecionáveis que servem sobretudo para revelar detalhes menores da história ou para desbloquear novos fatos para a personagem. Muitas destas peças de vestuário acabam por destoar do tom sombrio e mais realista que caracteriza o título.
A própria história acaba por não surpreender, oferecendo poucos desenvolvimentos inesperados para quem conhece o universo de banda desenhada ou as séries de animação. Fora do combate, o jogo cai, por vezes, em fórmulas mais genéricas de videojogos de grande orçamento. Missões em que Logan veste um fato formal para espionagem numa festa luxuosa parecem quebrar o ritmo de uma experiência que brilha muito mais quando o herói está cercado por ninjas.
Apesar destes detalhes, a campanha principal pode ser concluída em cerca de 13 horas, provando que a Sony mantém a aposta em experiências robustas focadas num único jogador. Num meio atualmente saturado de jogos como serviço e extensos mundos abertos, o regresso a um estilo concentrado é notável. O título enfrenta também um dos períodos de lançamentos mais exigentes dos últimos tempos, competindo diretamente com grandes obras como Onimusha: Way of the Sword, Control Resonant, Fire Emblem: Fortune's Weave, Gears of War: E-Day, Silent Hill: Townfall, Star Wars: Zero Company e, muito em breve, The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Grand Theft Auto VI. Contudo, é precisamente o foco sanguinário e direto que permite à aventura de Logan destacar-se.







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