
A China está a intensificar os preparativos para a missão Tianwen 3, um projeto ambicioso que tem como objetivo trazer para a Terra cerca de 500 gramas de amostras da superfície de Marte em 2031. Segundo avança o Space.com, o lançamento está previsto para 2028, colocando o país asiático na linha da frente da exploração espacial, num momento em que os planos da NASA para uma operação semelhante permanecem incertos.
Em busca de vida extraterrestre e desafios técnicos
Hou Zengqian, cientista-chefe da missão, revelou no passado dia 3 de setembro, durante uma conferência internacional de exploração espacial em Hefei, que a prioridade científica da Tianwen 3 é procurar potenciais sinais de vida. O objetivo passa por identificar vestígios microbianos que possam ser semelhantes às formas de vida iniciais na Terra, sem descartar biologia desconhecida que possa ter surgido na história evolutiva única do planeta vermelho.
De acordo com a Administração Espacial Nacional da China, a arquitetura da missão será composta por um módulo de aterragem, um módulo de ascensão, uma cápsula de serviço, um orbitador e um módulo de reentrada na Terra. O lançamento vai exigir dois foguetões pesados Long March 5, que partirão do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan. Hou Zengqian confirmou à estação estatal chinesa CCTV que a missão progride de forma favorável, com os equipamentos de sonda a entrarem na fase de desenvolvimento de protótipos.
Seleção do local de aterragem e proteção planetária
As janelas de lançamento para missões marcianas ocorrem apenas a cada 26 meses. O voo da Tianwen 3 está a apontar para a janela que decorre entre dezembro de 2028 e janeiro de 2029. Espera-se que a seleção definitiva do local de aterragem esteja concluída até ao final de 2026, com os investigadores chineses a elaborar um novo mapa geológico detalhado de toda a superfície de Marte. A escolha será baseada em critérios como a idade geológica, o histórico de atividade da água, a habitabilidade e o potencial de preservação de bioassinaturas.
Para garantir a segurança biológica, a agência de notícias estatal Xinhua adiantou que vai ser construído um laboratório de proteção planetária na cidade de Hefei. Esta instalação, desenvolvida pelo Laboratório de Exploração do Espaço Profundo (DSEL), implementará um sistema de proteção bidirecional para proteger as amostras marcianas e salvaguardar a biosfera da Terra. A infraestrutura servirá para esterilizar, processar e avaliar o risco biológico do material recolhido.
O antigo diretor do Centro de Pesquisa Ames da NASA, Scott Hubbard, considerou que este avanço poderá representar um novo "momento Sputnik". O especialista sublinhou que os progressos chineses podem colocar o país na posição única de ser o primeiro a descobrir indícios de vida num planeta além da Terra, captando as atenções globais.







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