
A esfera pública movimenta anualmente mais de 86 mil milhões de euros em pensões, saúde e apoios sociais em Portugal. Um novo estudo promovido pela Nova SBE e pela Fast Forward Foundation conclui que o país possui uma infraestrutura financeira robusta, mas necessita de otimizar a coordenação entre entidades para garantir uma resposta atempada aos cidadãos.
O percurso das transferências e o desafio da informação
O volume financeiro analisado não contabiliza sequer as despesas diretas das famílias ou os seguros privados de saúde, focando-se estritamente nas transferências diretas do sistema de proteção pública. O projeto "Welfare Sector Payments - Portugal" dissecou este fluxo financeiro de ponta a ponta, desde o momento em que o Estado reconhece o direito de um cidadão até à receção efetiva do montante.
Conduzida pelo Leadership for Impact Knowledge Center da Nova SBE, a avaliação marcou a primeira aplicação prática no terreno de uma metodologia desenvolvida pela Fast Forward Foundation. O território português foi escolhido como nação-piloto na Europa para testar e validar o sistema, graças a condições muito favoráveis, onde se destacam os serviços públicos digitais avançados e a forte taxa de inclusão financeira.
O relatório evidencia que o processamento do pagamento em si não é o obstáculo, apresentando-se rápido e seguro. Os estrangulamentos ocorrem nas fases prévias de validação de processos e na troca de dados entre os vários organismos oficiais. São estas falhas de comunicação e articulação que provocam atrasos substanciais no apoio a quem mais precisa.
Seis vias para modernizar a prestação social
Para maximizar os recursos já disponíveis, o estudo propõe seis medidas concretas para melhorar o panorama nacional:
Criação de um espaço de coordenação focado exclusivamente nos pagamentos do bem-estar social.
Medição rigorosa do desempenho nos fluxos financeiros mais críticos.
Definição de responsáveis claros pela partilha de informação entre instituições.
Adoção alargada da tecnologia de transferências imediatas.
Reforço dos canais de proximidade para apoiar as populações menos digitalizadas.
Acompanhamento contínuo e regular da satisfação dos beneficiários.
Ricardo Zózimo, investigador da Nova SBE, salientou que o desafio português deixou de ser tecnológico para passar a exigir agilidade estrutural, explicando que é precisamente nos momentos de coordenação interinstitucional que se perdem semanas no acesso aos fundos. Para Lívia Piermattei, Presidente da Fast Forward Foundation, este tipo de pagamentos é um pilar frequentemente negligenciado, apesar do seu impacto massivo na eficiência dos serviços públicos.
Debate sobre o futuro do dinheiro em Lisboa
As conclusões do estudo serviram de arranque para a conferência internacional "The Future of Money, Payments and Welfare Delivery - Global Trends and the Portugal Experience", realizada a 10 de setembro na Embaixada de Itália, em Lisboa.
O encontro reuniu decisores e especialistas para projetar a modernização dos pagamentos do setor social. O painel de debate contou com intervenções de figuras centrais como Daniela Russo, do Banco Central Europeu, Céu Pereira, da Comissão Europeia, Maria Chiara Malaguti, Presidente Emérita da UNIDROIT, e Gerard Hartsink, Chairman Emérito da International Chamber of Commerce.







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