
A invasão aos sistemas da Revolut teve uma dimensão significativamente superior à reportada inicialmente e envolveu o acesso prévio a infraestruturas de autoridades policiais em Itália. Segundo revelações obtidas pela publicação International Cyber Digest junto do próprio atacante, a operação prolongou-se por seis meses e permitiu forjar pedidos oficiais de informação para extrair dados confidenciais de clientes de vários países, incluindo Portugal.
Utilização de e-mails oficiais para enganar a empresa
O cibercriminoso, que utiliza o pseudónimo IAmNotAVillain, explicou que se infiltrou em múltiplos departamentos das forças de segurança italianas, de onde comprometeu cerca de 147 GB de dados internos, como documentos, calendários e registos de conversas pessoais. A partir desses sistemas governamentais, o atacante utilizou endereços de correio eletrónico legítimos de organismos estatais para enviar pedidos fraudulentos à empresa financeira.
Perante as solicitações formais que aparentavam ser autênticas, a plataforma financeira acabou por ceder a terceiros informação sensível de clientes. De acordo com dados avançados pelo Financial Times, quase 700 utilizadores viram os seus registos entregues aos atacantes, que exigem agora o pagamento de um resgate para evitar a publicação do material extraído.
A empresa confirmou que, assim que a fraude foi identificada, bloqueou o endereço utilizado no ataque e notificou as autoridades governamentais, reguladores financeiros e organismos de proteção de dados.
Dados de cidadãos de mais de 30 países em risco
Entre os ficheiros comprometidos no ataque à fintech encontram-se dados de contacto, datas de nascimento, profissões, documentos de identificação, fotografias de verificação do tipo selfie, extratos bancários, históricos de transações, códigos IBAN e movimentos em Bitcoin.
Apesar de o atacante indicar que a maioria dos clientes afetados se situa na Suíça e em França, a lista de países impactados inclui mais de três dezenas de nações, entre as quais Portugal, Espanha, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido e Itália. Na página criada para promover a venda dos dados roubados, o pirata informático afirma ainda possuir registos pertencentes a figuras públicas conhecidas, destacando um jogador de futebol do FC Barcelona.







Nenhum comentário
Seja o primeiro!