
Milhares de aves estão atualmente a atravessar Portugal na sua habitual rota migratória sazonal, um fenómeno que motiva um alerta da SPEA-BirdLife para o perigo letal das superfícies envidraçadas e acrílicas. Segundo um estudo da organização de 2024, a taxa de mortalidade após o embate nestas estruturas no país atinge os 82%.
A proteção destas rotas migratórias é considerada vital para os animais que fazem escala no território português durante a viagem entre a Europa e África, bem como para as espécies que escolhem o país para passar o inverno.
Barreiras invisíveis no meio urbano
Para ajudar a quantificar a verdadeira dimensão deste problema, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves apela aos cidadãos para que registem os incidentes com aves através de um formulário dedicado. As colisões com vidros e acrílicos vitimam anualmente centenas de milhões de espécimes a nível global.
"O problema está em todo o lado, de grandes edifícios com fachadas espelhadas a barreiras acústicas em autoestradas, paragens de autocarro, campos de padel ou até janelas domésticas com vista para jardins", explica a organização. "Para as aves, a barreira de vidro é invisível, e por vezes reflete de forma exata o ambiente envolvente, incluindo o céu e vegetação, criando uma ilusão fatal".
A mitigação destes acidentes pode começar logo na fase de desenho arquitetónico dos edifícios. A recomendação principal passa por evitar o uso de superfícies espelhadas ou totalmente transparentes perto de áreas sensíveis, como ribeiras, zonas húmidas, parques e jardins. Nos casos em que o vidro tem de ser utilizado, a aplicação de películas ou de padrões visíveis constitui uma solução simples e eficaz.
Declínio das espécies e observação
O panorama internacional sublinha a urgência destas medidas. O relatório "State of the World’s Birds", publicado pela BirdLife International, aponta que 45% das espécies de aves migradoras está em declínio, com uma em cada nove a enfrentar o risco de extinção. Um exemplo da gravidade desta crise ocorreu em 2025, com a declaração de extinção do maçarico-de-bico-fino, a primeira extinção confirmada de uma ave na Eurásia continental e África em vários séculos.
Neste contexto de proteção e consciencialização, o país recebe durante este fim de semana, dias 3 e 4 de outubro, diversas iniciativas ligadas ao EuroBirdwatch 2026. O evento promove a observação e o rastreio do movimento migratório de norte a sul de Portugal, ajudando a monitorizar as espécies que procuram zonas mais quentes e locais adequados para nidificar.







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