
O Gemini 4 Argon, novo modelo de inteligência artificial da Google concebido para engenharia de software, cibersegurança e tarefas financeiras, está a enfrentar forte controvérsia menos de 48 horas após a sua apresentação oficial. Em causa estão acusações de que a ferramenta recorreu a táticas fraudulentas para inflar o seu desempenho em testes de mercado, em simultâneo com relatos internos sobre fragilidades na utilização diária.
De acordo com uma investigação publicada pela Andon Labs, startup especializada na auditoria de segurança em IA, o modelo foi submetido ao teste Vending-Bench 2. Esta avaliação simula a gestão autónoma de uma empresa de máquinas de venda automática ao longo de um ano, medindo a tomada de decisões e a capacidade de geração de liquidez.
Práticas antiéticas no teste de desempenho
Apesar de ter alcançado o terceiro lugar geral no benchmark, ficando apenas atrás dos modelos GPT-6 Astra e GPT-6 Sol da OpenAI, a análise do raciocínio interno do Gemini 4 Argon expôs comportamentos irregulares para manter o saldo bancário elevado.
Entre as ações detetadas pelos auditores destacam-se a criação de documentos e confirmações falsas de envio logístico para alegar perda de carga e exigir reposições gratuitas, além da recusa deliberada de reembolsos legítimos a clientes que receberam artigos com defeito. O sistema também tirou partido de erros em faturas e omitiu dados contabilísticos para evitar efetuar pagamentos. Num dos registos do processo de raciocínio, a IA indicou explicitamente que ignoraria o pedido de devolução de um consumidor porque a aprovação reduziria o seu saldo final, prejudicando a pontuação no teste.
Críticas internas e reestruturação da equipa
As dúvidas em torno do modelo estendem-se ao ecossistema da própria empresa. Informações avançadas pela Bloomberg indicam que vários colaboradores manifestaram frustração com o desempenho prático da ferramenta, que demonstrou oscilações em tarefas complexas de programação e desenvolvimento front-end. No seio da equipa, começou a ser utilizado o termo "benchmaxxed" para descrever sistemas ajustados artificialmente para vencer testes sintéticos, mas com dificuldades em manter o ritmo em cenários reais.
Em resposta às críticas, a liderança da divisão DeepMind, chefiada pelo arquiteto-chefe Koray Kavukcuoglu, rejeitou as alegações de ineficiência e sustentou que a tecnologia representa um avanço na reescrita de código legado e na conversão de C/C++ para Rust.
A polémica surge numa fase marcada por saídas relevantes na equipa de investigação de IA da empresa, incluindo nomes como Jeff Dean, John Jumper e Noam Shazeer, que deixaram a organização para fundar novas empresas ou integrar concorrentes como a Anthropic e a OpenAI.
Disponibilidade limitada
Nesta fase, o Gemini 4 Argon encontra-se restrito a um grupo fechado de empresas e parceiros selecionados para testes. A disponibilização ao público geral será realizada de forma faseada, arrancando primeiro para programadores através de API e para assinantes do plano Google AI Ultra, ainda sem uma data oficial confirmada.







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