
A Google colocou quatro unidades de processamento Tensor (TPUs) no espaço a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX, dando início aos testes práticos do Project Suncatcher. O objetivo do ensaio é avaliar a resistência dos componentes à radiação e aos desafios térmicos da órbita terrestre, verificando se o hardware de inteligência artificial pode operar no espaço.
O satélite MVP, desenvolvido em colaboração com a Planet e com o tamanho aproximado de um frigorífico, foi lançado a 1 de outubro a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, integrado na missão Transporter-18. Segundo a Fast Company, a iniciativa não pretende criar desde já um centro de dados funcional em órbita, servindo apenas para testar a fiabilidade do hardware num ambiente extremo.
O projeto surge como resposta às crescentes exigências dos centros de dados em Terra em termos de eletricidade, espaço e água. Em órbita, os painéis solares podem ser até oito vezes mais produtivos do que na superfície terrestre, aproveitando a exposição quase ininterrupta à luz solar. Matthew Weinzierl, autor do livro Space to Grow, assinalou que os custos das infraestruturas em Terra continuam a subir, enquanto os custos no espaço tenderão a cair, embora ainda não seja certo quando essas duas realidades se irão cruzar.
Desafios térmicos, radiação e comunicações
A ausência de ar no espaço impede a dissipação de calor por convecção, o que obrigou a Google a implementar um sistema térmico especializado. Com o design atual, os chips conseguem funcionar durante cerca de 15 minutos antes de necessitarem de arrefecer. Para prever o impacto da radiação, a empresa submeteu previamente as TPUs a testes de exposição simulada na Universidade da Califórnia em Davis.
A conetividade em rede representa outro desafio relevante. A empresa prevê o lançamento de mais dois satélites em 2027 para testar comunicações por laser, essenciais para garantir ligações rápidas entre unidades em órbita e manter os satélites à distância ideal para comunicar sem risco de colisão.
Impacto ambiental e escalabilidade
Operar alguns chips em órbita é um desafio controlado, mas a criação de grandes constelações de satélites introduz complicações adicionais, como o aumento do lixo espacial, o congestionamento orbital, tempestades solares e as emissões geradas pelos lançamentos e reentradas na atmosfera.
Análises do investigador Juan A. Fraire indicam que os centros de dados espaciais precisariam de estar operacionais durante cerca de cinco a seis anos para igualar o perfil de emissões de instalações terrestres mais sustentáveis. Os resultados sustentados de desempenho e a evolução dos custos ditarão se a abundância de luz solar é suficiente para tornar a computação orbital viável no futuro.







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